sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Tuas palavras duas.

Nada tenho contra pessoas inconstantes.
A inconstância me atrai ao mesmo tempo
que repele os covardes.
Mas queria poder saber tanto o quanto
é incógnita a trajetória destes seres maravilhosos.
Destes que desafiam o futuro
como se fosse um passeio noturno.
Nada vejo de inseguro no semblante volúvel
de um mutante.
Vejo a poesia infinita
a surpresa de cada dia
que resulta em vida.

Mas queria saber mais sobre esse
universo...desconhecido
para aqueles que se consideram
normais? Assim como...
eu.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Luz


O amor é a chama.
A vida é a luz.
Há tanta luz
que não podemos
descrever.

Somente quem esteve no centro
dum furacão pode imaginar esse poder.

Ela está sempre presente
no começo e no fim de tudo.
Procurei palavras bonitas
para contar o que vi.

Tola intenção, jamais poderia.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Um cavalo chamado "Vida"

Deixei as janelas dançando
ao sabor do vento soprado.
Não pude...nem quis pensar no futuro
e o vendaval veio muito forte.
Num galope tremendo
abrindo caminho dentre os mortos.
Mais forte do que eu poderia lembrar
me carregou ao fundo de mim
num lugar que nem eu conhecia.
Agora...não sou mais do que sempre fui
mas vejo minhas mãos presas à Terra
e o vento ainda sopra.
Sinto ainda a força do tempo.

Estou aqui e não sei mais nada.

sábado, 5 de dezembro de 2009

domingo, 22 de novembro de 2009

Objeto

A mágica de tudo
que não acontece é parecer ser essencial
e trazer uma aura de completude
fantasticamente superior no sentido
de ser melhor... mesmo sem nunca
ter existido.

sábado, 21 de novembro de 2009

Talvez

Talvez tudo que eu sinto
não esteja em nenhum livro
de receitas..feitiços.
Talvez nunca tenha sido
escrito, prescrito
proscrito..talvez eu nem exista
que tudo seja um sonho
de um louco sentado no vaso sanitário
numa latrina dourada
à beira dum abismo
cheio de pessoas dançando.
Talvez o sol nem seja uma estrela
de nenhuma grandeza
e já esteja apagado
e ninguém percebeu.
Talvez esse mundo Terra seja
uma bola explosiva
que o gatilho enferrujou
e esqueceu de explodir.
Talvez dentro haja outra Terra
um outro universo
que ninguém destruiu.
Talvez essa vida não seja a nossa
não estejamos vivendo
e nasceremos ao morrer.
Talvez tudo isso seja apenas
um sopro
das narinas oblíquas
de um pequeno besouro
na cabeça de um unicórnio
que cavalga veloz
sobre o dorso de um peixe
enquanto este salta
de um ponto distante
ao ponto restante
dentro de um oceano
formado por uma gota
uma gota de lágrima
no cantinho do olho
olho de um bebê
um bebê gigante
cuja mãe gestante
dormiu
e morreu.

Talvez esse bebê seja
o passado que o futuro
do universo
ainda
não viveu.

Lutar

Nem sempre lutamos
em alguns momentos
não parece ser o melhor..
Caminho.
Quando lutamos
nem sempre sabemos...lutar
ou motivo.
O importante é lutar.

Se tiver que lutar
tanto faz.
O importante é lutar.

Se tiver que sofrer
tanto faz
que seja contigo ou alguém.
O importante é junto estar.

Se tiver que morrer
tanto faz
mas que não seja hoje
antes de te amar
nem depois do jantar
nem depois de cantar
dos pratos quebrar
nem depois de lavar
as mãos.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

O tempo

A chuva choveu
o sol esqueceu
o vento soprou
o tempo virou
a lua brilhou
a nuvem cedeu
aos encantos
do mar

Queria ela aqui
molhando meu pé
enquanto a praia esquecida
e outra nuvem perdida
parasse aborrecida
se pusesse
a chorar.

E eu uma vez só
pudesse ficar
em silêncio
ouvindo o estalido
das gotas de lua
molhando a rua
e o teu
olhar.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Promessas, santos e outras mentiras.


Não faço promessas, até porque
não tenho mais nada para prometer
que possa interessar...usar.
Sou um spectro escondido. No outro lado do rio Tige..Escuto
os gritos enlouquecidos...pelos
santos esquecidos e seus milagres midiáticos.
Agora somo as aparições no outro lado do oceano,
não há perda sobre perda que justifiquem tanta
loucura.
Honduras, Panamá, São Francisco.
Veias, brasas incandescentes
e nenhum sorriso.
É tudo igual de cima para baixo,
já não muda nem o idioma.
Os milagres esperados
dão lugar ao imponderável.
Os assassinos dentro e fora
dos presídios, também acreditam em santos
e rezam a eles todos os dias
fazem promessas, elegias
todos à mesma maneira
gritam loas, proferem besteiras
na mesma fé sem poesia.
Vivem a mesma mentira,
e nós pagamos
os pecados.

domingo, 15 de novembro de 2009

Marcas

Todos temos.. marcas..
Rugas, traços tatuados
a fogo.
Em lugares inóspitos
como meu cérebro.

Não tenho tatuagens
resultantes de momentos.
Tenho ferroadas.. feridas,
chagas incuráveis...incontestáveis.
Nunca as removeria
nem se pudesse.

sábado, 14 de novembro de 2009

Tolo.


Eu quero olhar
no fundo dos teus olhos
e ver neles meu caminho
sentir em cada cantinho
um resto de lágrima
que rolar não te deixei.
Ver gravadas em tua retina
somente as alegrias
que te causei.
No fundo destes olhos serenos
toda a pureza que despertei.
Minha vida
que em teus seios sonhei
e o amor
que em mim semeaste
que de tolo, todo
ainda
não te dei.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

De passagem.


Uma janela, ponto de partida.
Um lugar perfeito
um projeto de vida.
A vitória é ambígua, nunca é absoluta.
Alguém sempre perde. Só vence quem
luta.
Nas bordas do inferno
não há miragens.
Os demônios são reais aos olhos despertos.
São espelhos dos corpos de alma desertos.
Não há portas, nem de entrada
ou de saída.
Mas nada invalida a ansia de fuga
mesmo que não haja para onde fugir
ou não se tenha a exata medida
do que fomos durante nossa vida
se criamos coisas boas
e do que fomos para outras pessoas
se passamos por meros coadjuvantes
ou se de alguma forma...brilhamos
nalgum retrato, lembranças menos
importantes,
até interessantes,
mas a verdade...talvez,
nunca saibamos.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Conselhos a um jovem caminhante.


Deixa a tristeza pro lado de lá
põe a saudade no mesmo lugar
onde sentir a vida inteira passar
mas não esquece do teu velho lugar
ou de quem por ti ficou a rezar
para nunca nunca se machucar.

Sorria mas não fica a esperar
que em resposta recebas um sorrir
não olha para trás
nem perde teu rumo onde ir
pois é bom demais se ter um caminho
para seguir e por ele lutar.

Podes até ser muito feliz
seguindo a ponta do teu nariz
sempre a frente e nunca voltar
Ou deixar teus beijos rolarem por aí
e com eles fazer infeliz
a pessoa que só querias beijar.

Nunca penses que és melhor
ou pior seja de quem falar
nunca canses de caminhar
nem tenhas medo da noite
pois a busca é o caminho
e é apenas o começo
quando encontrar.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Enquanto.

Te conheci
enquanto via
na minha mão
a tênue linha da vida
sob a luz da criança-manhã.

Há muito tempo
enquanto ardia
em nós dois a paixão
numa febre enlouquecida
como poderoso titã.

Te conheci
enquanto havia
desejo, ardente canção
entre flores esquecidas
vozes silenciando envelhecidas
na penumbra triste
que restou...e
a solidão.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Vamos combinar?

Antes que pensem que "já fui" não vou fugir.
Vamos combinar, como em 1968, xiiiii... isolei 995 leitores!
Mas eu conseguia usar umas calças listradas verde e preto e uma camisa rosa
com elástico na cintura...ah! e tênis branco. O famoso Gides 7. Aqueles que já
tinham a sola de "matéria plástica"
Tudo combinava...
Na tv passava o seriado Combate, com o sargento Sawders, Kirby, baixinho e Kowalski.
Não perdia o Fugitivo nem Bonanza...
Um cara que viveu essa época de tanto heroísmo
não pode se abater por tão pouco...Pouco, muito pouco.
Vamos combinar que eu não sei escrever, mesmo assim não consigo ficar sem..
Eu não tenho inspiração poética, mas não posso ficar sem me meter a fazer versos.
Então vamos combinar que essa estória de dar tempo não combina comigo né?

Quando eu tiver que mudar de rumo, de estrada dar uma ...paradinha..
todos iremos perceber...

À merda esse tempo, não quero mais saber..

É muito melhor né?
Vamos combinar???

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Apenas um tempo..



Pensei em dizer em poesia
na verdade eu não saberia
nem o que precisaria dizer.
Mas se tentasse, seria em vão
achei que era possível? Mas não.
Melhor seria simplesmente... esquecer.

Pensei em sair do ar,
até o vendaval passar,
mas não, esse tempo é só meu.
Por isso vou deixar assim
sei que estarão pensando em mim
ou lendo o que esse "poeta" muito pateta
às vezes um asceta,
nem sempre de forma direta,
poucas vezes correta,
mas feliz ou ingênuo...escreveu.

"Um tempo apenas..é o que eu preciso.
Escrevam se quiserem e o que quiserem escrever.
O tempo.. passará".

sábado, 31 de outubro de 2009

Até hoje..

Em nenhum lugar eu estive
em que pudessem me conhecer
nenhum vento trouxe o perfume
das noites perenes nas quais não sonhamos.
Até hoje passei sem rumo
nada pude ouvir..ver.
Sabia que o tempo mudara,
mas a chuva não veio.
Não fiz ruirem muralhas
nem mudei o curso dos rios.
Não movi montanhas
nem abri o mar.
Não emudeci vulcões
nem afastei as colunas de Gibraltar.
Não salvei ninguém dum incêndio
não escalei o Evererst.
Não fui ao fundo do mar
nem vi os punhos de Jeová escreverem na pedra.
Nem tentei construir uma arca
não ergui um colosso em Rhodes
nem pensei em ir à lua.
Não discursei em Haia
e nunca cruzei o Atlântico.

Só tão somente só...e sempre
quis te ver feliz...

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Deixo assim. Concreto sorriso.

Estou deixando
um sorriso.
Do meu jeito.
Não sei fazer melhor.

Custa-me muito abrir
a boca num sorriso largo...
Sempre me senti melhor
de boca fechada.
Deixo isso é meu compromisso.
Não nei por quanto...tempo.
Não sei mesmo...quando.

É mais concreto...correto
ter o que não tenho
do que gostaria de ter.
Entretanto escrevo, não deveria
por não saber
direito..

É tão concreto,
quanto a poesia sem imagem
não precisamos ver...sentir...viver.
Deixo e saibam que é tudo
que tenho.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

O Sorriso do louco que não sabia sorrir...




Ele sorria,
até queria, mas
não sabia
nem se era sorriso.

Ou se era preciso
ser compreensivo.
Preferia fingir
que estava sentindo
alguma piedade.

Mas na verdade
não sabia sorrir.
Preferia mentir.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Ser.

Seria muito bom
se todas as pessoas pudessem ser
aquilo que gostariam de ser..
Ser, somente e nada mais.

Quem é
..e sabe bem
ser o que é..também sabe quanto isso
custa..!

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Bem ali, depois da luz.

Bem ali onde a luz termina
começa a escuridão.
Que não seria nada...nem ela
sem a próxima luz
que começa em seguida.
Portanto, somos muito
mais que uma simples ponte,
somos o próprio rio
em constante evolução..

domingo, 25 de outubro de 2009

Ir é preciso.

O mundo se abre para mim.
Mostra caminhos e pontos donde quem partiu
ainda não chegou.
Abre-se o mundo envolvendo os poucos
que nele se aventuram.
Descaminha os covardes e estende um tapete
de cinzas para os sonhadores..

Todo caminho é tortuoso...ou sereno
depende de quanto é necessário romper as barreiras.
Salto às cegas neste bravio soturno,
não tenho mais para onde ir...voltar?
Olho às costas e percebo quanto deixei de andar,
pudesse gritar aos que já foram, gritaria...em vão.
Seguir só!! é que eu preciso.
Conviver com os meus fantasmas
e saber quando sorrir ante a dor..
Seguir é preciso, saber usar as escadas, portas e porões.

Ir é preciso seja com meus dentes quebrando em meus dedos.
Diluindo aos poucos o que me restou dos medos
Por onde eu passe que ninguém me espere amar, não mais.
O tempo.. descansa em minhas mãos cansadas.
É preciso seguir, seguir é preciso..
Mesmo que minha vida aderne numa praia vazia,
que nada me encontre e eu nada tenha.
Das minhas ilusões nuas, cruas nascerão estrelas,
mesmo que eu nada seja, ir é preciso.
Preciso é ir..

Agora eu sei.

Quando não aceitamos o que a vida nos dá
é o mesmo que nos revoltarmos quando ela nos tira.
Perdemos muito mais do que pequenas coisas.
Não importa qual valor se deu à elas...
Aceitar até uma doença é o princípio básico
para a cura. A prostração e autopiedade resumem
nossas possibilidades..

Vinha vida foi sacudida, mais um desafio
que aceito e sou grato.
Grato à vida e às energias benéficas.

Agora eu sei que sou importante para milhares de
seres, agora eu sei a razão de tantas coisas...idas.
Agora vislumbro o tanto que fiz e tudo que ainda farei,
seja nesta e em outras jornadas...

A Vida me chama...
Agora eu sei.

Que nada fiz só por querer
que todos fomos feitos
do mesmo giz
da mesma luz.
Pelo mesmo SIM.
Que a energia que move as esferas
é a mesma que alimenta nosso sentir,
nosso viver.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Vida é tudo de bom..

Existir...faz sentido..
Vida é bom!! Pode até ser
com aquela dorzinha no lado esquerdo..!
Ou no direito, tanto faz..
Olhar um filho, o pai, irmãos
uma netinha...
Viver é demais..
É muito legal..
é normal
é sadio..
Faz sentido..

Ainda não inventaram
nada melhor...
Já?
Eu duvido!!!

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Um dia na vida de heróis..seis da manhã.

Nem ouviram quão belo é
o chilrear das sabiás
temperando os sons da manhã
enquanto a luz se apaga no Islã
começa a arder o sol nos maricás..

Pessoas sem brilho
acorrem aos (re)públicos hospitais
lotando pequenas e grandes conduções
rumo às fabricas e construções
muitos dos que chegam, não voltam mais.

Olham com medo
o arremedo...do telejornal
onde políticos, traficantes e jogadores
ocupam o palco como atores
de uma superprodução nacional..

O iníquo pulsar da guerra,
penso eu estarrecido
que o dia está só começando
e muitos daqueles que já estão trabalhando
nem tomaram café...ou algo parecido..

E a vida será mais leve
quando chegar o final do dia?
Sufocando num ônibus ou num "trem da alegria".
Melhor será dormir ou morrer de agonia?
Viver em liberdade, ainda que tardia?
Como cachaça no bar...desapego, valentia.
Ou salvar quem sabe o que resta
de sua pobre poesia....

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Meus Passos e o tempo. 75


Poderia ter andado com meus passos...
Me restava muito tempo.
Mas ele escoou
e este andar não se deu.
As pegadas não eram só minhas..
Olhei para outra margem
e uma multidão avistava minha passagem..
Alguns aplaudiam, outros viravam o rosto
prostrados de inveja.
E ainda havia ..o tempo..
O tempo que soltava os sonhos
e era o mesmo que matava esperanças.
Mas nem tudo foi em vão..
Aprendi a respirar com meu próprio nariz
a cantar com minha própria voz
fui feliz...quase o tempo todo...ah! o tempo....
Também aprendi a mentir, fingir
que nada seria difícil, fácil? Talvez, mas
nunca foi.
Também aprendi a ficar invisível.
No começo senti a diferença,
entre a indiferença e o nojo..
Depois não havia mais distinção, pois
para alguém invisível!!! tanto faz..
desprezo era um consolo...
Hoje nada está decidido... ainda
a vida segue seus descaminhos..
Os livros são os mesmos nos quais estudei
e quase nada aprendi
e o pouco que sei.... não li.
Mas ainda olho para a linha do horizonte
na vã tentativa de reencontrar o caminho.
Aprendi a ser indiferente e
o autodesprezo me ensinou a aceitação
mas não aprendi a me conformar
nem a beijar a mão que me agrediu
e nem a esperar
pela morte em vida
ou a renúncia
que esperam de mim.

Tô Fora - Uma foto da Internet. Bem interessante


Não sei, mas ultimamente estou fora
As pessoas querem que eu seja e faça
algo que não sei, nem sou...hoje em dia menos ainda.
Ficam chateadas de graça...acho graça e nem pergunto porque...
Não sei fazer gracinhas
não consigo ficar à toa
gosto mais da solidão..
Tô fora gente!!!

Ninguém está entendendo?
Nem eu.
Querem sacudir meu corpo
e ele pode estar morto..
Ninguém pensou em sacudir minha vida.
De repente ela pode estar viva..

É eu estou errado, mas não sei ser certinho..
Odeio bebidas, futebol, carros e estupidez..
Seja, ser "certinho" não é comigo.

Também não vou mentir
me fazer de vítima romântica..
Escrever mil frases meladas e idiotas
só para alguém gostar.. não vou.
Tô fora..

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Sombras e gestos.



Enquanto as pedras guardavam as formas
o espaço mudava de cor... cheiro e luzir
Restos da antiga sombra pairavam em gestos
e não se atreviam partir.
As sendas perdiam a veracidade.
Busquei em meu rosto uma mentira só minha.
Se nada encontrasse contaria a verdade.
só mentira encontrei..da verdade nada tinha.
Resisti à inveja e também menti.
Mas meu medo não era menor
do que toda raiva sentida.
As portas se abriram
e as formas que antes
encurvadas, caídas
jaziam ao solo saíram,
copiaram Lilith
e buscaram liberdade.
Lhes dei asas de sonhos
e imaginei pousarem
em si,
em ti e por mais
uma vez
menti.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Magia.

Aqui deixamos
nossos rastros na areia
escondidos nas pedras
como inuteis castiçais.
Aqui ficamos
pensando em coisas tardias
enquanto barcos perdidos
enfrentavam o mar.
O mesmo mar
que para nós era um sonho
onde as canções brotavam
como gotas de chuva
sentindo o vento...luar.
Assim deixamos
marcas de vida e delícias
meus lábios em sorrisos
sorvendo teus beijos
adormecendo... falando bobagens.
Aqui, nós fomos
namorados, amantes perfeitos
sem saber contar sentimentos
e nem precisávamos
saber falar.

Toda magia
falava por nós.

domingo, 18 de outubro de 2009

Busca

Procurava num mapa
de uma cidade desconhecida
num lugar abstrato distante diáfano
procurava no cerne do oco centro da Terra
num algo esquecido de um coração distraído
Procurava dentre as montanhas, Alemanhas e Israel
nas frases soltas amargas num papel... perdido
nas estações de rádio ou dos trens desgovernados
onde o nada governava tudo e tudo corria por nada
nas versões absurdas
que ninguém jamais traduzira
nas esquinas perdidas das vilas
nos porões cobertos de ira.
Nunca procurou na verdade,
em meio ao medo, nos dedos do futuro
jamais procurou no escuro,
entre a discórdia bradas da guerra
não encarou o soldado ferido
em sua volta sem honras
não olhou para o rosto conhecido
que lhe ofereceu ajuda quando não pedia
nem avançou sob a luz do dia
esqueceu da noite de luar, por julgar inútil.
deixou brilhar o fútil
em seu olhar vazio.
Perdeu o rumo, o prumo, o lume da estrela da manhã
tudo por uma paixão insana e vã
que nunca lhe devolveu a paz
nem a ilusão do embriagado
por quem morrerá, se capaz
certamente... e eternamente
apaixonado.

sábado, 17 de outubro de 2009

Sorte de criança..

Ontem eu tinha um poema em minhas mãos
não escrevi e o perdi.
Ouvia notícias sobre uma criança de sorte.
Acho que toda criança tem sorte,
pelo menos deveria ter.
Porque lembro uma frase, não sei quem disse
e nem importa. Essa pessoa tentava justificar
as penas leves para menores infratores.
E disse:

"O tempo para um jovem de 14 anos não tem a mesma dimensão
que tem para um adulto. Se esse jovem for condenado para
ficar três meses numa instituição, ele sentirá como se
fossem três anos".

Fiquei imaginando o que deveria significar então
20 minutos para um menino de 8 anos, nas mãos de
um bandido. Um bandido de 14 anos, mas já bandido.

Realmente o tempo para quem sofre uma agressão é
muito diferente do que para quem agride..
Não consigo quantificar ou qualificar esses 20
minutos de terror. Assim só imagino. Tento imaginar
ainda os outros 20 anos para esse menino... e os
outros vinte, os outros e os outros.

Era um poema que tinha em minhas mãos.
Não escrevi....nem poderia.
Penso numa criança de sorte..

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Te vi.

Te vi caminhar entre ruelas sombrias
antevi em teu olhar, uma gota orvalhada.
Esqueci por um momento o vento, as noites frias
citei poesias de louvor ao céu.
Mas nem em todas loas te reconheço,
nem ao Poliphemo acordaria arfante.
E não fui um réu.... apenas neste instante.
Mendigo daquilo que sei não mereço,
nem do que venha ter por qualquer preço.
menos do que tenha herdado de quem não conheço.
Só te vi andar por caminho antes fechado
que abriste com um sorrir azul do olhar.
Vês que guardo nas mãos uma linda gota?
Pequena orvalhada que salvei calado
só neste breve segundo não tive medo
e nela mergulhei, em segredo
bem lá no fundo
para te encontrar.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Sem querer.

De repente a vida não me sorriu mais
também não pediu contas, cobranças outras?
não mais.
Assim tão cedo a tarde pareceu escura
havia restos de um sonho,
uma árvore gigantesca, tudo estava bem!!!
Tudo estava tão bem!...!...?
Agora há a espera, eu também vou esperar,
o tempo vai esperar também?

Sobre a minha mesa, que não é minha, há tanto
de mim!! Rio enfim..
Parece um lugar estranho de um outro homem
e não eu..
Há mais coisas estranhas sobre essa mesa
do que dentro de mim agora.

Num breve instante eu vivi minha vida.
Não essa que coloquei fora...foi sem querer.
Mas aquela que nem num sonho é sonhada.
Hoje só sonhar é possível. Só sonhar.."sonhar"...só.
Ando nesse sonho, juntando meus pedaços
talvez seja esse o meu caminho
há muito por mim
desejado...

Razões

Busco-as
desesperado.
Para manter o palco
iluminado
e as cortinas
abertas.

domingo, 11 de outubro de 2009

Silêncio no Atelier





A sombra buscou refúgio
em meio às massas dobradas
pedras, marretadas...restos
de tudo que não fiz.
Paixões despejadas como
resinas... lânguidas espalham
odor de tédio...remédio
para dores das quais
nunca me refiz.
Entre tantas vozes passadas
presente? Só o silêncio
ouvindo as preces veladas
palavras toscas mal dadas
entre muitas que a vida pariu.
Feito velas arriadas
que se desfizeram ao relento,
sobre um barco perdido que
apesar do vento,
sem destino... não partiu.

sábado, 10 de outubro de 2009

Guardiões do tempo.

Olho para as horas,
sempre as mesmas
adiantes ou tardias
e os relógios não param.
Não são só máquinas.
Pensam que determinam o futuro
e nada é tão imprevisível
embora muitos tentem
anunciar.

O que serei daqui alguns
minutos? O que será de nós?
Medo? Isso eu sentia antes.
Agora sinto saudade.
Saudade do futuro que não sei,
do passado que pensei saber,
se nada sentisse, nada saberia
nada seria, portanto,
não sou.

Os espamos cronológicos seguem
eternamente divididos em
segundos, empestando o vento
com o escarro tumoral
chamado tempo.
Por onde viajo, viajamos
juntos e escorremos pela derradeira
e única ladeira da qual
jamais sairemos...até
o romper
da noite
eterna.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Menestrel.



Se algum dia um canto
como encanto pulsante
num breve instante
te calar.
Saibas que não teve jeito
com o alaúde junto ao peito
como insano bardo, feito
sozinho me pus a cantar.

E se por ventura esse trilar
santo aplacar tua dor
saibas que foi por amor
jamais por outro motivo.
Que a arte me tem cativo
sem ouro ou prata, mas vivo
seja do jeito que for
para esse canto entoar.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Cantando...

O que fiz do meu jeito
era para ser desse jeito.
Se fui ingênuo demais
tanto faz.

Ontem..
Disse: "Fico".
Gritaram: "Vai".
Tanto faz
pois não posso mais voar.
Lembro o voar
dos sonhos.
Antes bastava o vento
um sopro, um alento,
bastava sonhar.

Embora tudo tenha jeito
mesmo que nada seja feito
encontrei um jeito
de sonhar...

então, fico
cantando..

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Problemas?

Quando estamos em alguma situação difícil, a melhor coisa que temos
para fazer é pegarmos o fato e pulverizar o seu cerne. Diluir, esmiuçar e
expandir para todos os pontos cardeais.
Claro que estou pensando que em cada ponto desses está um amigo.
Uma pessoa que pelo menos esteja sintonizada na mesma estação.

Podemos ter certeza de que em poucos minutos estaremos muito mais
ouvindo os problemas alheios do que falando dos nossos. E isso é muuuuito bom..
É bom saber que não somos os únicos no planeta que temos problemas.
Como se isso fosse novidade!!! claro que não é, mas nem sempre a gente
sabe disso. As dores dos outros devem ser deglutidas com o devido
cuidado. Não devemos exagerar na dose de interesse, afinal infelizmente
não poderemos resolver nada para ninguém.. Mas devemos ouvir...

As comparações são inevitáveis. Contudo devemos evitá-las, ou tentar, no mínimo
guardar as devidas proporções. Ninguém é igual a ninguém, muito menos as suas mazelas, cada um tem alguma ferida diferente para lamber.

No final de umas vinte palestras temos que ter a sensibilidade para sabermos montar
o tabuleiro. Tirando algumas coisas que não levam a lugar algum, tipo o
negativismo hereditário, teremos certamente elementos suficientes para bolar
uma bela estratégia. Além disso, podemos dizer alguma coisa em favor de outrém.
Na verdade tudo pode ajudar, se não estiver atrapalhando, mas certamente todo
encontro de ideias entre pessoas que se gostam, sempre será vantajoso.

Problemas? Todos nós os temos... e de montão..Então,
vamos falar sobre isso?

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Pessoas Interessantes...

-É uma dádiva divina...há quem seja assim até não querendo.
A minha amiga Simone Aver descreve uma pessoa
interessante. Em um texto que em alguns momentos
raia o improvável, ela coloca em poucos pormenores,
toda a importância de uma pessoa ser única, "diferenciada"
e finalmente interessante...

Passei muito tempo tentando ser interessante, no máximo
consegui ser engraçado, em pouquíssimos momentos.
A personagem de Simone consegue ser interessante
sem fazer o menor esforço. Pelo menos para ela, não sei
se seria para muita gente. Entretanto, ser interessante para
uma pessoa como Simone Aver já é suficiente para
não dormir uma semana.

Sorte dele se ainda não sabe, pois ao contrário, deve sofrer
de insônia...

sábado, 3 de outubro de 2009

Amistad.


Acabei de acrescentar esse filme à minha lista de favoritos. Interpretações absolutamente dentro da média de Morgan Freeman e Anthony Hopkins e um banho de interpretação de Djimou Hounson como o africano Cinqué....Baseado num fato verídico ocorrido em 1839 na costa cubana...O comandante do navio negreiro "La Amistad" calculou mal as provisões, quando faltavam 20 dias para aportarem em seu destino, resolveu o problema do excesso de bocas mandando afogar 50 africanos. A cena é monstruosa. Cinqué comandou um motim onde vários membros da tripulação morreram. Ao mesmo tempo denunciou o afogamento dos 50 negros o que foi considerado uma calúnia e usado como agravante em seu julgamento....Belo filme dirigido pelo competente
Steven Spielberg.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Preguiça

Escrevo, bastante? Não sei!!!
Mas escrevo até demais para a minha atividade.
Sei lá, assim como gosto de receber palavras
presumo que as outras pessoas também gostem.
Arrumo tempo e enfrento a máquina, opss!
Escrevo sim!! Não tanto e tão elegantemente como
Simone Aver.
Nem tão bem quanto Helena Erthal.
Gostaria de usar os símbolos de forma tão criativa
e falar de paixão como Cynthia Lopes, queria ser sincero como
Soraia Yumi, inteligente e bem humorado como a Lili.

Não sou nada disso, quase não tenho tempo para nada e
mesmo assim "escrevia"..

Hummmmmmm! de repente bateu uma preguiiiiiiça......
Não esperem mais os comentários imensos, até
porque às vezes eu nem encontro palavras para
externar o meu pensamento....as minhas postagens
serão monossilábicas. Sei lá!!!Não sei mais!!!
Deu pra mim!!!

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Amanhã

Por tudo que já foi dito, maldito
escuto o vento.
Por todas as sombras que escureceram
o olhar dos homens,
eu fito o sol.
Ainda que caiam tenebrosas trovoadas
escuto o cantar dos pássaros.
Por todas escrituras sagradas ou amaldiçoadas...
leio suas frases.
Esqueço a dor em meu peito, deito
sobre a relva da manhã.
E amanhã
serei melhor, maior

Esqueço os espessos traços de angústia
de "vereda" saio por Holandas, Iolandas ou Madagáscar.
Sou tudo isso e mais um pouco,
louco, amanhã serei outro.
Talvez mais solto, tenso ou cativo.
Mas vivo.
Ainda que as manchas solares despreguem-se
e explodam.
Eu inspiro o ar do deserto,
decerto estarei a cantar..

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Outras luas.

Então vamos nós dois
de estrela em estrela
pé ante pé até... outra lua.
Já que nunca fui assim de ...amar.
Mas hoje eu quero
sair de casa e procurar.
Em outras ruas,
em outras suas,
outras paixões,
pois já cansei
da vida impor
as condições.
As condições.
Vou achar
uma você
cheia de luz.
Que faz tão pouco
e tudo que faz
me seduz.
Que esse tão pouco
me deixe louco,
me faça crer
que nas paixões
eu não estou
morto.

Cem + setenta e cinco. Tudo inútil


A escultura é condicionada a não ter movimento
aparente.
O figurativo é a definição da escultura, objetivo final.
Desafiar o espaço sem criar o espaço "aparente".
A exteriorização do volume não ajuda em nada.
Aparentemente.
A tridimensionalidade confere a solidez, aparente.
O gênero cria as próprias asas.

Aparentemente.

sábado, 26 de setembro de 2009

Silêncio

Antítese das colisões sonoras
revelações que somente os olhos
podem traduzir.
Nem todos sabem silenciar.
Dizer a não palavra?
Aquela que contém indefinidas
definições e infinitas renúncias.
Admiro as pessoas que podem dizer mais
silenciando,
do que outras tantas não
conseguem num discurso.

Mas há mudezes que amedrontam.
A mudez dos olhos,
das mãos
e dos sonhos.

O silêncio vem do pensamento
o que nem sempre ocorre com a palavra
que muitas vezes é mentira,
enquanto a verdade é sempre
precedida pelo

silêncio.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Raga pela Paz


Sempre gostei das orações musicais indianas. Não sei o que significam, mas sinto em suas melodias toda a entrega de seus músicos, força e poder. Em meu Sitarluth,(uma simbiose entre o Sitar e o Alaúde), criei a minha Raga pela Paz.Sem a pretensão de raiar a poderosa Raga Indiana, mas muito feliz por poder construir esse instrumento com as minhas mãos e nele tocar a minha Oração pela Paz.



sábado, 19 de setembro de 2009

Nunca mais.




Nunca mais ouvi o vento
que o tempo em teus olhos mudou
nunca mais senti a vida
como um rio lento que passou.
Nunca mais o azul dos teus olhos
nunca mais tua clara voz
nunca mais as flores que
não colhi pra nós.
Nunca mais senti o coração
bater como em teus braços
nunca mais senti a vida
pulsar como em teus passos.





Vida.


Nem tudo que fiz foi por amor
a paixão me movia em todos momentos.
Até os atos impensados e cruéis,
em tudo na minha vida,
a ânsia de ser puro
determinou minhas razões.
Nem sempre pude ser justo
e nem sempre senti na língua
o sabor da justiça.
Senti medo como um foragido
sem saber qual crime
não cometi.

Quase não senti amor
de tanta paixão que havia em meus olhos.
Assim vivi, fui guri.
Sou imagem, sombra e poesia.
Hoje vou seguindo
indo,
na rua ainda há rugidos,
ainda há decepções escoando
pelos ralos.

Uma planta solitária
resiste ao sol.

Uma cigana me enganou.


Uma cigana me puxou pelo braço em plena Rua da Praia

e me olhou séria nos olhos.

Senti um densa cortina verde cobrindo seu lindo rosto.

Um perfume ácido tomou conta de mim

e um silêncio tão grande quanto a multidão que nos cercava.

Ela disse:

"Vais ser tão famoso e respeitado quanto Pablo"


Eu sorri e perguntei; Pablo Picasso?


Ela meneou a cabeça e um sorriso largo mostrou seus

belos dentes, respondeu:

"É, pode ser"....

terça-feira, 15 de setembro de 2009

CONCRETAmente.

PASSAS
TODAS AS

MANHÃS


PASSAS TODA




A VIDA PASSA

Com toda minha ternura

eu todo coração me divido em mil pedaços

eu todo amor tenho os braços abertos e fortes quero abraçar suas paixões

eu toda pressa do mundo para reinventar as preces

chamar todos os anjos

perdoar meus semelhantes

e cobrar a minha parte


não pretendo perder mais nada em minha vida

principalmente minhas ereções

portanto não deixem seus traseiros na minha frente

porque estou passando com tudo em riste

não me encham o saco com baboseiras infantis,

coisinhas que garantem seus orgasmos, além disso não

tenho vocação para babaca, nem dali nem daqui

não confundam as bolas, nem gastem latim comigo

sou mais que vacinado,

já estive no inferno e passei a mão na bunda do diabo

vão ver se estou na esquina ou na puta que pariu.......



para quem interessar das galerias de arte, secretarias de cultura, prefeituras municipais, produtores culturais, conselhos regionais, câmaras municipais, politicos em geral deste e de outros planetas, investidores....etc...

com muita ternura....

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Final da estrada sem fim.



Nada sei sobre o meu destino.

As pessoas que encontrei pouco

disseram,

ou eram aquelas quem chamamos fracos,

pararam, desistiram ou enlouqueceram?


Até hoje nunca encontrei quem havia voltado.

Não sei se poderiam, talvez sim, mas iriam querer?

Acho que não.

Quase ninguém quer ir

e ninguém quer voltar.

sábado, 12 de setembro de 2009

Valor.


A poesia não tem preço

na maioria das vezes não vale nada

para quem lê ou não vê.

Porém nada custa tão caro ao poeta.

Nada lhe faz sofrer tanto,

quanto lhe traz tanta felicidade.

Real valor que não tem preço.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Meu alaúde medieval.


Acho que estou fugindo.
Fugas são a verdadeira essência humana.
Assim como Paul Gauguin....fugi para ir
e fugi de onde fui.

Agora vejo o meu alaúde.
Fiz com minhas próprias angústias, despojo de tudo
de que nada servia. Uma porta de cedro....um osso
velho, canela de boi.

Cravelhame de uma ameixeira tombada, não servia
para nada. Sua eterna aura jaz agora em "mi".
Fiz com minhas lembranças.

Grande merda....dirão?

Não sei se poderia partir sem ter feito.
Toda vez que seu som me alaga,
sinto a felicidade poética de um bardo louco.
E é tão pouco
que quase rio
em dó,
da ilusão.

Maior que o mundo que lê ao seu redor.

Talvez eu esteja errado. Errando...
Mas.
Quero ouvir o teu riso da foto,
sentindo sempre o lado eterno, terno
do teu jeitinho sereno.
Teus olhos crianças através das lentes
atemporais. Quero.
Não vejo espinhos em tuas mãos...menina.
Vejo as flores que caem sobre teu caminho.
Por mais profunda que sejas aos outros
te quero assim pequena divindo teus sonhos,
comigo,
ao nível do pouco
que posso
desejar...
Te dar..

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Raridade.


Não é sempre que me fotografam rindo. Aproveitem e conheçam a minha faceta de pessoa

normal. Normal???

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Sol maior.



Pequena princesa
encantando meu olhar.
Pura magia
a melhor fatia
que pude provar.

Sapeca delícia
mal sabia de seu poder
olhar de criança
para minha esperança
do que havia por viver.

Do céu, um pedacinho
escondido .
Espertinha
quietinha
e eu fingindo não ver.

Pontinha do dedinho
nas teclas proibidas
sol maior com carinho
iluminando
meu atelier.
Plinc, plonc.

Plic, plic.

para sempre

em mi.


sexta-feira, 4 de setembro de 2009

A jovem poeta.

A jovem poeta
derrama sua dor
sobre um belo
e triste poema.

Cada lágrima
gera um verso
que se abre
para o universo
rasgando os limites
do tempo.

Galopando sobre o vento
até pousar
em seu destino.

A vida breve navega
tripulante das lágrimas
dum dia distante
que sua lembrança vigia
onde somente a poesia
tem o poder de chegar.

Dos olhos da poeta
brotam palavras
de sua dor.
Que nem mesmo
a distância,
o tempo, a realidade
nem a própria saudade
podem duvidar
de seu ardor.

Por quem a poeta chora?
Em lamentos
nos versos escondidos
o sofrimento resgata
o que sua poesia trata
de guardar
nos sonhos
perdidos.

A jovem poeta
derrama a sua dor
sobre versos
enternecidos.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Ainda há tempo !!!


Alguém canta o outro chora
são abolidos os risos febrís
as despedidas fazem encontros
momentos irreais e sem sentido.

Máquinas ocupam o espaço possível
cartazes de dizeres loucos indicam as direções
Pedestres fazem comícios ininteligíves
enquanto os deputados mijam nas calçadas.

Padres às portas das igrejas
exortam os infiéis a voltarem aos presídios.
As guerras cessam por falta de gente para morrer.

Os muitos famintos olham para restaurantes,
vazios, frios
tifo, tétano e malária.

Ácido nítrico, sulfúrico e úrico
monóxido de carbono lixo tóxico
chuva ácida
morte tácita, plácida e tática
derradeira e estúpida

cirurgia.


Mista cortada no externo, xifóide

onde tremula o músculo oco

frouxo dolorido.

Crianças xilófagas com madeira entre os dentes

sobre as rendas de cortinas

espalhadas na sarjeta.


Um pouco de tudo

para nada existir.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Uma voz

Nem sempre busquei coisas encontráveis.
Na verdade, muitas vezes perdi o que procurava
para não perder tempo procurando.

Um dia.

Um dia, a chuva caía sobre meu assoalho.
Nunca pude compreender as goteiras.
Neste dia pensei em saudade
alguma coisa ou pessoa há tempos esquecida.
Uma voz ecoou na sala do atelier.
Era uma voz conhecida, doce e decidida.
Olhei para o lado e vi um menino... Parecia ter
uns nove ou oito anos, olhos azuis
brilhantes como a lua.
Reconheci naquele visitante matutino, o medo que sentia.
Medo de que ele me cobrasse promessas
que nunca pude cumprir
que ele me perguntasse porque desperdicei
a sua juventude.
Que sentisse vergonha do que não consegui ser
e lesse em voz alta tudo que escrevi
nas bordas dos cadernos.

Ele não disse nada, além de me desejar bom dia.
Baixei a cabeça e continuei fazendo aquilo que ele queria
fazer e não sabia. (Eu nunca lhe deixei aprender).
Ao invés de cobranças ouvi um pedido:

"Divide a tua dor comigo, assim como dividi
a minha felicidade contigo"
Eu respondi que não podia e que teria que suportar minha dor
sozinho. E ele respondeu:

"Eu não sou a tua sombra pequena, sou parte do que tu és
e a melhor parte".
"Eu sou como o sonho mais puro
que nunca pudeste realizar"

Olhei para a janela na minha frente.
As imagens se pareciam
com uma tela pontilhista de Georges Seurat.
As cores da rua se misturavam com a chuva, e o brilho das
lágrimas que se acumulavam
em meus olhos sem saberem cair.
Um caminho de incertezas é o que eu sempre tive.
Aquele menino certamente
sentiu vergonha da minha fraqueza.
Por nunca admitir minhas limitações, minhas dúvidas e
o medo de ser feliz.
O medo de saber que poderia ser
o que eu sempre quis.

domingo, 30 de agosto de 2009

Um lugar- Cambará do Sul- RS.


Onde não há horizontes

se desfazem os segredos

onde eu queria ficar.

Olhando a superfície lisa da água

matando a sede de vida

esperando Deus chegar.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Quero comer a Jennifer Lopez

Tenho tempo ainda.
Quanto? Não sei, mas tenho.
E do tempo que tenho, farei o melhor, o pior já fiz.
Não vivi a plenitude do tempo que eu tinha.
Me desfiz em queixas e autopiedade. Desperdicei a minha vida.
A vida que havia pela frente...ficou para trás
Meus olhos brilharavam ante uma felicidade que eu não quis.
A melhor parte do dia
o doce mais doce
a fruta mais saborosa
a mulher mais bonita
a praia mais quente
a água mais pura
o melhor beijo
o maior sonho, tudo.
Tudo,
tudo, tudo e tudo deixei para depois,
guardei para o outro Natal,
para a outra Páscoa,
no próximo carnaval,
para o outro aniversário, afinal eu tinha uma
vida inteira pela frente.
Deixei para amanhã.
O amanhã chegou e eu não vivi.
No tempo que me resta quero fazer o que não fiz,
porque não quis.

A Jennifer?
Ah! É tão somente uma metáfora.
E bota metáfora nisso...

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Dança ao luar.

Na imagem que guardo
estás dançando
a última dança,
uma dança ao luar.

A música cessa
lágrimas transbordam
meus dedos trêmulos
hesitam
e já não podes cantar.

Teu par há muito não lembra
que os dois dançaram
naquela noite.
Sob a luz
do luar.

A música que fiz para ninguém.


"Se no meu canto
houvesse luar
talvez minha sorte
não fosse
como as águas
de um rio
que desaguam no mar.

Se no horizonte
houvesse um lugar
em silêncio que espera
alguém que pretenda
um dia voltar".

Mar

"Mar que desdenha das fontes
mar que desenha horizontes
Mar que se entrega às areias
ao cantar das sereias
sob a luz do luar
Mar que apesar dos perigos
oferece abrigo
para quem naufragar".

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Ninguém quer ouvir..


Não sabia que minha vida era tão desinteressante.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Essa menina só lê?

Essa menina está muito tempo calada. Não gosto quando as crianças ficam assim.
Só pode estar tramando alguma peraltice....

Cantos.

Cresci ouvindo meu pai cantando pequenos versos de canções muito antigas, dessas que nem se sabe os autores. Naquela época eu as achava engraçadas, hoje tenho certeza de que sempre foram maravilhosas.

Alguns versos que me lembro.. A linguagem é original e provavelmente nunca foi escrita corretamente, pois se fosse não haveria rima.

"Eu fui no mato
prá cortá um paulinhero
prá vê sou ligero
cacei prá brigá
Por isso mesmo
que me chamo
Lelo Loro meto a faca
tiro o coro
e faço bota prá calçá".

"A minha sogra que era
muito valentina
engoliu um automóvel
e deixô fora a buzina
Veio o dotô
prá fazê a operação
abriu a barriga dela
encontrô um caminhão".

(Refrão)
"É só prá homi Lelé
é só prá homi Lalá
é só prá homi
que a mulé
pode escutá".

"Conheço um homi
que era claro muito claro
tinha um filho coisa rara
que é mais preto que carvão
E a mulé que é do mundo dos sabido
diz que a culpa é do marido
que apagou o lampião".

(Refrão)

"Chico paulino tem um filho
que é bem homi
quando se zanga não cômi
pega a faca e vai brigá
Chico paulino
que era muito valentão
apanhô dum alejado
e deu num cego a traição".

(Refrão)

(Muda a melodia).
"Uai uai tua mãe bejô meu pai
uai uai tua mãe bejô meu pai
Uê uê eu não sei o que fazê
ûê uê eu não sei o que fazê.
Uão uão tua mãe bejô o João
uão uão tua mãe bejô o João".
E assim por diante rimando com todos nomes possíveis
e é sempre a "tua mãe" que beija.

"Tico-tico da macega
gavião quiri quiri
meu amor que foi-se embora
eu também queria i".

(Verso final, muda novamente a melodia).
"Na bera do mar dá peixe
no fundo dá tubarão
nas onda do teu cabelo
navega meu coração".

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Mediterrâneo distante.

Saudade
do teu sorriso que me envolveu
em todas as cenas.
Das tardes mornas
espontâneas,
serenas.
Olhares ávidos
e cantos de boca.
Força!!
que em teu curso seja eterna.
Saudade
das ruas de paz.
Chuvas que a gente nem queria,
teus olhos morenos,
teus dedos pequenos.
De tua voz macia.
Muita.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Rumo ao desconhecido. O fim.


Tudo tem fim, nem sempre precisa ter

mas tem.

A calma que invade a sala,

a luz do sol sobre a mesa,

um jardim e seu perfume,

tudo um dia termina.

As mesmas tardes preguiçosas

podem se transformar em noites sombrias

que também irão terminar.

Temos um dia marcado,

expirando o prazo

vamos partir numa viagem incógnita,

sem fim?

Os budistas reencarnam

os católicos respondem por seus pecados,

eu? Não sei.

Nem sei realmente quem sou,

ou se fui sem ter sido.

Um sorriso,

um beijo,

um abraço,

o amor,

não precisavam,

mas têm

fim.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

A menina que traduz o mundo ao seu redor.

Ela sabe o quanto sabe!
Pergunta fingindo.
Indaga fugindo
da resposta
que ela própria traduz.
Faz que não pensa
só para saber um pouco mais de nós.
Menina esperta, com uma frase
numa página deserta
coloca o mundo para pensar.
Ingênua?
Pois sim.
Sempre tem a pergunta incerta
e resposta sempre certa.
Se diverte ao saber
que esse mundo
é só dela
e que não podemos
interferir.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Terra do nunca ou terra de ninguém.

Essa letra foi feita em 1989. A música foi gravada no mesmo ano numa interpretação emocionante de Ana Souza. Infelizmente a fita se "perdeu". Restou uma K7 danificada que ainda tenho esperança de recuperar. Mas o que me causa mais tristeza é perceber que passados 20 anos, ela está tão atual quanto na época.

Terra do Nunca.

A verdade ainda não triunfou neste lugar
onde a podridão se espalha como um imenso lençol.
Cobre todo país, onde um povo "feliz"
tenta inutilmente encontrar o arrebol.
Planos e mais planos
planos sob os panos
planos todos os anos
para nada mudar.

A nação afundou, nenhuma flor
cresceu sequer nasceu
quase nada mudou
nessa terra do não, do nunca.

Tantas coisas tolas enquanto outras que eram boas
foram desfeitas aos berros e pontapés.
Vi muito morrer e nada acontecer
lágrimas no rosto de quem tentou produzir.
Gerações de artistas
magos e passistas
buscam outros ares
para poderem respirar.

A nação afundou, nenhuma flor
cresceu sequer nasceu
quase nada mudou
nessa terra do não, do nunca.

A verdade ainda não triunfou neste lugar.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Uma esquina, uma casa.


Que lugar é esse?

Onde me esperam com os braços abertos,

sorriso claro e sincero?

Que casa é essa?

Onde só amigos me aguardam

reservam-me o melhor lugar

e tratam-me como igual?

Que mão é essa?

Que enquanto me oferece de comer e beber

acarinha meu rosto?


Me faz querer e viver.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Ela

Ela cerrou os punhos
não de maneira belicosa
como o romper da truculência.
Foi como barrar seu sangue
na vã tentativa que roxear dos dedos
fosse um sinal de assentimento.
Ela abriu as mãos
devagar como se o torpor da angustia
congelasse o gelo.
Não como em mendicância
mas como vencedora
como quem se cobre
e dorme
para
sempre.

sábado, 4 de julho de 2009

Thêmis


Pobre mulher olhos sob a escuridão

Trevas da mentira

Velha deusa sem serventia

Seu templo foi

profanado pelos duendes da miséria

homens comuns vestidos de deuses.


Pobres deuses.

Pobre deusa

traída.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Seria triste.

Viver num país, onde a justiça tarda e falha, ainda por acima de tudo está em serviço somente dos poderosos.
Onde a educação e educadores são tratados como "acessórios supérfluos".
Onde bandidos e assassinos têm mais espaço na mídia que cientistas e pesquisadores.
Onde o futebol tem mais importância que a saúde, cultura e segurança pública.
Onde os políticos só pensam em se "dar bem", pois a grande maioria é incompetente para ter sucesso na atividade privada.
Onde um traficante recebe tratamento de celebridade, enquanto artistas mendigam espaços.
Onde idosos são banidos do convívio social depois de dedicarem suas vidas à construção do próprio país.
Onde as pessoas honestas são proibidas de sairem às ruas, sob "pena" de terem seus bens roubados e suas vidas selvagem e impunemente ceifadas.

Sinceramente, seria muito triste e vergonhoso viver neste país.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Pois é!!

Há respostas para tudo?
Acho que sim, mas quem sabe?

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Espera

Era uma casa muito pequena.
Na sala apertada havia uma mesa sem toalha
um copo vazio guardava o tempo
em seu interior um universo se formava.
As paredes, testemunhas silenciosas do andar do tempo, perderam a cor.
Uma janela fechava para o mundo, um mundo que não existia.
Uma porta trancada com sete correntes esperava pela liberdade. Que tardia.
A luz há muito se fizera ausente
Apenas um brilho tênue dum risco de sol perdia-se no pó.

Neste cenário obscuro
gritei teu nome.

Espero o vento responder.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Reencontro marcado

Às vezes, de vez em quando temos que parar. Um pouco, um minuto.
Procurar algo naquele cantinho esquecido, escuro talvez. Pode ser que tenhamos deixado alguma pista, um bilhete relatando direções. Não custa tentar. Nada se move eternamente, como o próprio universo, um dia irá parar. Um segundo perdido, se recuperado, pode resolver a questão entre "ser ou não ser".

Temos que rever algumas coisas, lamber algumas feridas, dar atenção e carinho a quem bem nos afeta. Reprogramar alguns caminhos, corrigir rotas e repensar nossas atitudes.

Vou viajar na longa e desconhecida distância até o fundo de meu quintal. Repetirei esse caminho tantas vezes trilhados por meu pai.

Penso que só assim me encontrarei.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Palavras para o vento

Mário Quintana e Carlos Drummond de Andrade,
conversando eternamente em Porto Alegre.

Não vou mais falar, nem
ouvir
poemas, luzes nem campos de estrelas.

Nem dizer de caminhos
que desconheço.

Não quero olhar o mesmo trapo
que um mendigo perdido deixou cair
na chuva.

Nem as árvores serão minhas
ou a velha feira do livro.

E se as janelas fecharem
e portas não resistirem
saberei que estou certo.

Não quero voltar.
Nem mais.

sábado, 28 de março de 2009

Restaram as pérolas.


Teu olhar
coloca
certeza
da distância
de um sorriso
teu que traduzo

e renego
avesso e desconsolo
miragem
oásis perdido
meu
corpo
corpo
teu.

Meu
tema
deserto
ao sol
de verão
busco
em minhas
mãos
soar
de um sino
um caminho
entre a razão
e o nada
teu
corpo
corpo
meu.
Teu corpo fala em
meu corpo, falo
em ti.


Caixinha cheia de coisas.


"Pontas cônicas irônicas montadas
em uma lâmina de papel dourado ressequido e torto.
Lixas de bico, de bilro? De birra.
Parafusos de nada, pedacinhos de cera perdida, suporto?
Embuchas, rastilhos=(O que é um rastilho)?
Parte, de uma parte, outra parte repartida, re-parto,
parti, paramos numa parte. Repartimos tudo".


Pedaços de metal
são meus
meros
vermelhos e azinhavrados
todos metais
sei que não sei
o que é isso tudo.

Uma caixa
um pedaço de luar
o mar,
dentro dum dedal
quatro conchas
de sereias fustigadas pela dor
quatro pedras
redondas
e
a
voz
de
meu
pai.

O resto?

São pérolas...

sexta-feira, 27 de março de 2009

Feitiço - Preta Véia

Uma estrada de pó
guardavas em quarto escuro
ponto do santo endereço da capela
outra estrada cruzava, essa era a carga.

"Pegaste um zumbido zóio estrunhu melero
jogassi na pedra e inda zumbas d'eu?
botasi no fogu galiliha d'angola
sanguizi de cabritu ele zumbas d'nois"

A estrada de lama era o fim da campina
o medo que eu tinha
deixei para lá e fui para sempre
onde devia ir, toda a vida, toda a vida.

"Lá nusauto das pedreira tem um santo
musifiu valá manda buiscá prá mó di cortá
esa seca mardita, esa canga quji não naceu
em ti misifiu, sorta esa carga mardita misifiu"

Lá onde deixei meu medo
começou o meu sonho
que logo fui buscar
não tem pranto nem santo
que me faça voltar.

"Abri bem ese zóio azul como ahua
tem muié bunita que qué ti beijá
tu num va murre tum sedo mi fio
multu tempu tu tem prá mó di zoiá."

(Te amo preta véia esteja onde estiveres)

quinta-feira, 26 de março de 2009

Coisas que não precisava dizer.

Há coisas que deveríamos esquecer de dizer sempre.
Engraçado, são as que mais lembramos.
E quando dizemos, o mundo parece que vai terminar.
Depois de um dia pensando naquela pessoa,
mal contendo a ansiedade para poder falar, trocar as experiências vividas
um tempestade de coisas tortas e mal explicadas desabam sobre os dois.
Às vezes nem precisam muitas palavras
um monossílabo, já é suficiente para se perder o dia, e em algumas vezes uma
amizade. Eu pessoalmente acho injusto isso, porque na maioria das vezes aquele que ofende
pensa que isso está longe de acontecer. De repente acontece, como uma bomba no meio de uma
sala de espera. Onde menos se espera uma bomba.
Quando isso acontece comigo tenho vontade de explodir. O pior é que sempre acontece com pessoas que menos mereceriam. Na verdade ninguém merece.

Um dia legal, muito trabalho, rendeu uma maravilha. Uma conversa com uma pessoa super interessante, tudo maravilhoso e de repente, uma bobeira, um assunto indigesto e aquela dose
maciça de "unsifragol" que não se faz presente e pronto! lá se vão os pés pelas mãos.

Vou me olhar no espelho. Devo estar com cara de babaca. Ultimamente tem sido a minha cara favorita. Se tirar a barba, pode piorar. Vamos ver amanhã, estou cansado de ter que me desculpar, não tenho desculpas quero mais é pagar por meus erros.

E tenho errado muito. Estou chateado e triste. Deve valer pelo aprendizado, como lembra muito bem a minha querida amiga Helena Erthal. Quem lê o meu blog já deve ter percebido que eu cito
bastante essa moça..É que ela sabe muito mesmo. Dá licença;;; Vou dormir..

Romântico - Verão de 73


Para esse dia que também vai passar, trago um poema
mais antigo. Tanto que eu nem lembrava.
Não me supunha
tão romântico assim em 1973.
E continuo igual até hoje.



De um lado vejo uma ponta
em outra ponta nada vejo
nada tenho de tão claro
de tão caro, nada desejo.

Se fosse de novo um menino
te traria juntinha sem medo
porém sei que nesse caminho
só posso tê-la em segredo.

Busco a ti, em outros olhos
em teus olhos o que não tenho
busco em ti os meus caminhos
em teus seios meu engenho.

Quero fazer-te muito carinho
trazer-te sempre em meu coração
toda manhã fria, bem cedinho
dar-te calor, a vida em canção.

Minha vida, minha flor, flor eterna
flor do campo, meu campo em flor
sê para mim o que melhor puderes
e que eu possa te devolver em amor.


terça-feira, 24 de março de 2009

Sem códigos


Não há mistérios entre mim e minha alma

não há códigos secretos, leis de incerteza moderada

ou que alcance o tamanho inexato.

Se uma árvore crescer normalmente será parecida com

a árvore que cresceu

se um avião partir, se não cair aterrissará

se anoiteceu agora, amanhã amanhecerá.

Não há mistérios entre mim e o que eu quero

não há códigos para nós dois

não há tempo que meça o universo

não há sol que exploda em raios catódicos

não temos vida entre vidas entrelaçadas

minhas mãos estão livres sobre a pedra viva

a tua mão me acena na vertigem do sorriso

onde nascem os desejos

onde se aquece a água

onde se entulha os pedidos negados

onde os ateus dão graças

não temos códigos a desvendar

meus olhos são plenos

estão abertos

querem te olhar

de perto

por certo

a leitura da retina

se revelará.

Amigos..

São meus olhos
que buscam a curva no fim do mundo
São minhas mãos
que atravessam o oceano das almas e atracam no sublime
São meus sonhos
que levam a sede de vida aos recantos de mim
São meus pés
que me colocam de frente diante das injustiças
São meus pensamentos
que fazem ruir os castelos da mediocridade e fazem nascer o inatingível
São minhas tristezas
que me fazem transformar em beleza o dantes bojo de vaidade
São meus planos
que determinam minha jornada
São as paredes
que desconstruo a cada tinir de meus cinzéis
São meus destroços
que recolho a cada passo que refaço a cada instante quando olho sempre à frente
São minhas lembranças
que me reerguem e me conduzem à eternidade
São as palavras
que me fazem pensar, reagir, sofrer e chorar
São minhas lágrimas
que não conto levam segredos confissões ditas nem sob fogo
São minhas fugas
que me fazem livre e ser o que poucos são
São as minhas obras
que levam ao mundo a minha carne, o meu silêncio, a minha paixão, a minha voz,
o meu lamento e tudo mais que só eu sei

que sou.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Pensei

Que já haviam dito tudo.
Pelo menos
era o que o jornal anunciava.
Mas as palavras ainda me batem no rosto.

Risos?
Não me dizem nada.
Nada é tão importante
hoje eu estou triste
tudo pode mudar.

Então a minha vida,
a tua e de vocês,
não é importante.

Ontem, eu te cantei como um beijo,
isso me fez feliz.
Esse riso dentro da minha alma
me diz muito mais.
Eu te cantei como um abraço
e tu sorriste
um sorriso-beijo.
E o resto?
Não é importante.

Até as palavras que me batem
no rosto.

Quero o silêncio que foi
perdido.

Pensei.

domingo, 22 de março de 2009

Agora.

Silêncio...

É mais além

Atrás da linha , outra senha, uma carta
aberta aos loucos
um copo quebrado
a certidão de nascido
a pesca e o peixe estragado
há muito mais do que vã filosofia
não tem portas, solta-vento
brigas de rua
bebidas, medidas ambas extremas
não sabem de mim
e tu menos podes saber
há cãibras em mortos
sonhos sem luzes
ruas sem postes
estradas pagãs
que não voltam
nem têm idas
há espécies extintas e vivas
sangue coalhado
tantas vezes derramado nas eiras dos generais.

Nada podes ver, pois nada enxergas
nunca chegarás onde já fui
falas do tempo
como se nada além existisse
mal sabes da noite queres ensinar a luz
é mais além do que crês
estás perdida enquanto pensas que sabes o caminho.

Há uma cerca caída
mas um muro de cegueira te impede
há doenças infames curas milagrosas
o último barco
que eu deixei partir
pensas que eu perdi?
Atrás da linha há uma curva
interminável viga que rege as vidas
há um plano refeito, redito perfeito
há mares e terras outras baldias
pontes horizontes sem fim
guias estanhadas, ferroadas e bençãos
não há cantos só as jornadas.

Quem é, sabe o que é ser.
Não tem propósitos enluarados
nem agnósticos, crenças ou religiões,
nem fogos estandartes antimônios hormônios
só paixão

Rumo, para quem anda
berço, para quem recria
claridade, para quem faz história
um eterno recomeçar, para quem vive o seu sonho.

É mais além.

sábado, 21 de março de 2009

Um pingo


Acordes de violão

longe da mesa do almoço

lembras que chovia?




As notas das nuvens, na forma de gotas

na forma da lei.

Gravitacional lei de queda e procura.




Enquanto quedavam as notas de chuva

longe dos pratos, dos talheres e toalha,

mas dentro de todos que viviam ali.


Entretanto havia cercas limitando os sonhos

nada poderia trazer mais solidão

do que pingos num telhado zincado

de acordes do seu violão.



A grama pontilhada de brilhantes

refletia desejos e esperança

nos olhares.

Em nome do pai, da mãe e dos filhos.

_Mãe chama teus filhos, chama e calor.


Quando um pingo venceu a janela

equilibrou-se no fio da lâmpada

caiu

dentro de um prato vazio de espera.

Estilhaçando-se em mil pequenas gotas-diamantes

acordamos do sonho

recém combinado

molhados

por um pingo (nota)

que venceu a janela

atravessou a sala

enviado pelo céu...








Plim.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Depende


Ainda havia plantas

sombras

solidão também festa.

Pés de plantas

pé que nunca calçara

uma luz no fundo do quintal.

Falava do tempo que se enxergava,

era o futuro

mas no presente

depende.


Havia razões para crer nas pessoas

nem sempre precisava gostar delas.

Hoje olho para o tempo

vejo outro futuro

presente?


Depende...


ao lado do rosto deste guri

há um carimbo

dito: dependente

passado

futuro?

Presente

ainda

depende.


Perguntaria Mário Quintana

"O que estará pensando esse guri"?



Depende..

O visitante "noturno"


Alguém está ao teu lado

é um cigano que doou-se ao vento

está calado e finge ser um sereno canto

mas no fundo vem ser

uma indecifrácel esfinge.


Alguém que bate à tua porta

não tem quadros na parede na casa de onde vem

não há memórias imediatas palpáveis

parece entendê-lo

mas seus olhos vão além.


Esse cara que te prende pela cintura

beija entre teus seios

mas até agora só te disse "sou eu"

ao mesmo tempo que te quer

não tem como te levar embora

da torre onde estás.


Não é um cavaleiro andante

suas armas ferem teu coração

seus caminhos não enxergas

estão perdidos no tempo

ele se doa ao canto

te cobre inteira com o manto

te seduzindo

com sua paixão.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Guia


Te vejo distante

minha estrela

penso que posso

dar-te um beijo

em plena luz do dia

em qual permaneces

oculta madura

feito limo sem pedra

adormeço

ronceiro de prazer

na dança das mãos

num simples sonhar

teus olhos de cedro-bronze

sutil toque celular

de células pulsantes

como o intermitente esculpir

eis teu servo

que te acalanta

que te vigia

te liberta

ousando livrar-te

deste catre de rocha

onde a escuridão me espreita

onde podes te perder

e nem me perdoarias

porque te

quero nua

ou só

te faço crua

sob a nudez do meu

olhar.

terça-feira, 17 de março de 2009

Cuidado


Cuidado
com teu medo
ele pode te entregar
ao caminhar pela rua
"uma rua qualquer"
eu posso me aproximar
e te dizer baixinho
"quero te gostar".


Alguém pode estar vendo
esse teu medo de voar
ou talvez se divertindo
com teu medo de sonhar.
Cuidado, olha lá!
Não há tempo de correr
nem sempre dá para saber
se é um farol
ou é o luar
ou meu olhar.

Cuidado
ao fazer a cama
pisar na grama
e cair na calçada!
Da fama.

As marocas podem contar
não perde o rumo
da madrugada
em que passas acordada
só para me ver aqui
cuidado, presta atenção
eu ainda sou guri.

Cuidado, mulher
é de noite
e esse cabelo vermelho molhado?
Há uma ponte
e um cão alado
um velho espia
pinhas e um vigia
caminhão sem freios
cavalo sem arreios
trem descarrilado
um gato encurralado
um policial aposentado
leão atropelado
panquecas com melado
tudo pode fazer mal
por favor
muito cuidado
um descuido é fatal.

Pode ser o fim.
Cuida
comigo
contigo
conjuro
contudo, de mim.

Cuidado.






segunda-feira, 16 de março de 2009

Moda de Sangue -Jerônimo Jardim e Ivaldo Roque




Foto do prédio onde nasceu Elis Regina Vila do IAPI Porto Alegre..


Uma frase de um poema de Simone Aver "Numa rua Qualquer" lembrou essa música


e lembrou-me de Elis.




Quando te prendo


na cadeia dos abraços
e te torturo e te sufoco
entre meus braços

E te fuzilo
com os olhos do desejo
e mordendo
no gosto do meu beijo

Quando te arranho
te lanho de delícia
vertendo sangue
do teu corpo de malícia

Quando te xingo
com palavras obscenas
como jurasse
as juras mais serenas

Quando me vingo
dos males que me fazes
com frases de maldade
e veneno

Sinto meu amor
que o amor é isso
essas coisas
muito fora de juízo

Mulher em repouso-Bronze da série "Diálogos"


Repousas tranquila

e nada sabes desse teu

febricitante seguidor.

Tolo escravo,

feiticista

de teu bronze-olhar.


Sonhas só,

enquanto em guirlandas

folhagens deitas.

Eu te velo

em teu solitário descansar.

Repouso

espero

espio.

sábado, 14 de março de 2009

Modelo


Teu lindo corpo
em minha mente.
Agora em minhas mãos.
De tanto sonhar
como se o sol fosse possível,
cais de teu mar
em meus punhos.

Te modelo linda,
por todos teus poros.
Tuas belas mãos contém as minhas
por pouco não te faço nua.

Enquanto vibras em teu roçar sereno
afago teus seios
lembrando doce visão.
Sinto a fragrância
de tua pele macia
agora minhas garras rasgam "teu" mármore.

Não quero mais os cinzéis
a macularem tua textura.

Teu corpo modela-se
em minhas mãos.
Preenche todas lacunas
medidas,
moderadas e absolutas
como sempre
sonhei.

Nem podes imaginar
o que isso é
para mim.



Ainda o tempo.


Pensei que tudo
poderia ser explicado.
Mas nada explica tudo,
me deixo resistir.

Há quem tem fome
e pensa que eu nada sinto.
Não, não sinto tanto assim.
Sinto muito..

Atrás das janelas um mundo vibra,
privado? Não sei?
Não há fotos, não há filmes
privam às pessoas, pisam no tempo
que não podem conter.

Fecho as janelas
as sombras cessam.
Sou inocente, me sinto inocente.

Caminho entre tumbas como fogo fátuo
lembranças de fato
todas vivas.

Eu passo e os cães nem ladram mais.
Canto e os fantasmas acompanham em sol(idão) maior.
Penso e as folhas caem
pois de-terminam verões.
Chega outro vento ou-tonal, um pouco mais.

Mais um dia
outros medos.
Após tantos anos,
ainda me surpreendo
ainda tenho tempo e medo.

Ainda sinto saudade.

Sinto muito.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Canto das Sereias


Relato

Nuvens espessas sob o luar sereno
carregadas de dúvida e imenso pesar
meus pés longe do tombadilho
busco o infinito
homens loucos vejo, soltos aos mar.

O canto espalha-se em todos os cantos e prantos
de Selêne, alentos de Deusas perdido entoar
como Odisseu por Atena esquecido, mudo no tempo, me pus escutar
do mais alto vento vejo o girar do cabrestante.
Quando começara o canto
pensei ver, Dédalus voar...


Canto...


" Ó tormenta em vagas repentes
derramas turbilhões nas costas de Héracles, em Gibraltar.
Não podes ser contido menos ouvido
se cantas liberdade, liberto estarás
tormentas e vagas doutas de profundezas
donde Poseidon ri em seu eterno reinar.
Ondas selvas d'agua mágoas e passado
tudo é brilho imenso no intenso derramar".


Vês meu infortúnio?
Agora assim, preso
corpo teso
indefeso

te pões a cantar?






quinta-feira, 12 de março de 2009

Outra canção


abre a cortina
a luz clara- clarea a dor
palco é vazio
a lua é cheia
não há platéia
só, o cantor.


Solo
a última nota repetida
a última nota repetida
não será ouvida
a última nota

não será você


Faço um solo
em quatro compassos
tempo de uma breve
ainda posso esperar
a última estrofe
não terá sua voz
não será você
invertidos compassos
colcheias de saudade

quando a breve cai
como uma
tormenta.



silêncio.
sem mim
em você

Restava uma canção

terça-feira, 10 de março de 2009

Coisas


Crio coisas

Tenho um monte
numa caixa.
Elas se reproduzem
e eu busco outras
para viverem
perto de mim.
Há iludidas coisas, frias,
coisa linda,
novas ou velhas.
Coisas difíceis, coisas estranhas
e coisas iguais.
Quando não ganho eu busco mais.
Ou de repente, elas surgem.
Numa tarde
numa noite
durante uma visita
sorrateiramente.

Coisa feia!

Distraidamente,
quando me dou por perdido,
elas me encontram aqui.
É sempre a mesma coisa.
Faço coisas
coisa de louco.
Isso é uma coisa!
A coisa complica.
Isso é outra coisa.
Coisa com coisa.
Vou na rotina.
Coisa chata!
Eu, vivo.
Como é a coisa hein?
Não vão me deixar
nem morto.

Que coisa!

Eu vou
elas
vão ficar
Coisas da
vida.
Coisas
que não morrem
coisas podem mudar.
É muita coisa.
Mudar de dono
mudar de casa
e
num quintal
se
enterrar.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Um dia.




Se pudesse trocaria,
pedaço da minha vida.

Eu nada perderia,
se fosse por esse dia.

Mesmo assim
a minha vida,
completa estaria.

Mesmo faltando
um pedaço,
de qualquer tempo
e mais um dia.

Só assim
eu poderia
esquecer
nefando
dia.





domingo, 8 de março de 2009

Vento


Abri minhas mãos ao vento.
Não preciso mais nada,
nem saber nada de mim.

Vento que bate em meu rosto.
Impulsiona a poeira
embaçando minha visão.

Vento condutor das notícias,
do front, às milícias,
de onde ninguém voltará.

Vento. De origem qualquer,
ferindo os pés descalços,
abrindo as matas misturando os sinais.

De pessoas vivas ou mortas.
Quem não veremos mais.
Serestas
passeios
verão
varais.

Vento.