sábado, 28 de março de 2009

Restaram as pérolas.


Teu olhar
coloca
certeza
da distância
de um sorriso
teu que traduzo

e renego
avesso e desconsolo
miragem
oásis perdido
meu
corpo
corpo
teu.

Meu
tema
deserto
ao sol
de verão
busco
em minhas
mãos
soar
de um sino
um caminho
entre a razão
e o nada
teu
corpo
corpo
meu.
Teu corpo fala em
meu corpo, falo
em ti.


Caixinha cheia de coisas.


"Pontas cônicas irônicas montadas
em uma lâmina de papel dourado ressequido e torto.
Lixas de bico, de bilro? De birra.
Parafusos de nada, pedacinhos de cera perdida, suporto?
Embuchas, rastilhos=(O que é um rastilho)?
Parte, de uma parte, outra parte repartida, re-parto,
parti, paramos numa parte. Repartimos tudo".


Pedaços de metal
são meus
meros
vermelhos e azinhavrados
todos metais
sei que não sei
o que é isso tudo.

Uma caixa
um pedaço de luar
o mar,
dentro dum dedal
quatro conchas
de sereias fustigadas pela dor
quatro pedras
redondas
e
a
voz
de
meu
pai.

O resto?

São pérolas...

3 comentários:

LiLi disse...

Nossa, é tão intenso, tão forte que vc nos deixa assim: sem palavras.

Cynthia Lopes disse...

É Ricardo, a voz de teu pai ainda ecoa, pela casa, pelos versos, num repente - de repente! Tudo isto me parece muito bom e traz um silêncio gostoso de boas recordações. bjs

Simone Aver disse...

Pérolas. Sempre aparecem a partir da dor, reparaste? Lindo poema. Bjs