quarta-feira, 30 de junho de 2010

Horas vagas.

As horas são vagas
incertas, de espera.
São longas e raras.
Navegam ao vento,
desastrado, ora lento.
São horas marcadas,
são favas contadas,
enganos e encontros.
As horas são contas,
são contos,
de fadas
e monstros.
Hora esquecida
mal resolvida.
Materia e notícias
são horas propícias
para vagar desatento,
em busca do alento
nas vagas da vida.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Arte x supérfluo.


A Arte é uma atividade que
está longe de ser qualificada como supérflua.
Ela vem de uma necessidade visceral do ser
humano, seja, a necessidade de expressão.
Ninguém consegue viver sem se expressar e a Arte
se manifesta exatamente neste sentido.
Independente de qual seja a qualidade dessa manifestação,
qual seja a sua origem, o grau de envolvimento do agente,
nação, credo, raça, etc...todas só serão possíveis
através da Arte.
Aqueles que conseguem materializar seus sonhos por intermédio
dela, são os chamados artistas, quando na verdade, a Arte
está presente em "todo" indivíduo humano. E todos, a partir do
primeiro respirar até o último, estarão se manifestando...
artisticamente.
Junto ao primeiro ar que insufla nossos pulmões, recebemos
o quinhão de Arte "necessário" para nossa existência e
carregamos pelo resto do caminho exercendo-a inteiramente.
Ela foi a primeira habilidade que nossos ancestrais receberam
e com a qual conseguiram sobreviver às agruras impostas.
Sem essa habilidade, a humanidade não teria chegado até aqui.

Supérfluo? Sinceramente, nem sei se existe algo que possamos
qualificar dessa forma, entretanto sei que a Arte é uma
das principais necessidades humanas, sem ela, seria impossível
viver.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Para os detentores da crítica construtiva.

Sempre quis ser um grande homem.
É claro que essas coisas povoam o nosso imaginário
durante um certo tempo, depois passam. Nem sempre
sabemos se conseguimos ser ou não, então quem se importa?
Sinceramente, não vejo muitos méritos nisso.
Já temos batalhas diárias com pequeninas questões que
acabam se tornando imensas..Isso realmente é muito
mais importante.
Meu esforço para trabalhar não é tão grande, mas a
resistência para veicular o trabalho é praticamente
insuperável..Não há dificuldade naquilo que realizo, nem
deveria, pois qualquer atividade humana tem que ser leve
e fluir naturalmente.
Então quais são as barreiras que tanto nos atrapalham?
Creio ser difícil para qualquer pessoa definir algo que
ela plantou inconscientemente. Em geral, nos dizem isso,
tu mesmo está dificultando a tua vida.
É! Parece bem fácil olhar a cara do outro e apontar seus
supostos erros. Mas, as soluções?
Crítica construtiva na verdade é um boa desculpa para
esculachar o próximo. Quando alguém começa a conversa com
essa máxima, "vou fazer uma crítica construtiva", podemos
ter certeza de que lá vem esculacho.
Chega o momento derradeiro em que temos de tomar atitudes
meio drásticas, tipo, vou ficar quieto no meu canto e não
vou dar conversa para ninguém. Eu digo de cadeira, não
façam isso! Porque é exatamente isso que querem que
façamos.
Existe uma formação para críticos. Não, não é uma formação
de escola, mas uma formação de fracassos e frustrações.
Ninguém teria na realidade condições de criticar quem
fosse, pois ninguém sabe das dificuldades de cada um.
"Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é". Caetano já
definiu a individualidade humana com essa frase.
Dessa maneira, acredito que aquele que se arroga as condições
para criticar é porque já fracassou em todas as atividades
e tentativas. É muito mais fácil falar mal do que fazer,
não é mesmo?

domingo, 13 de junho de 2010

Ritos e profecias.

Final de tarde...fim do mundo
talvez fosse melhor
que se perdesse o tempo
do que perder o pouco que resta
do olhar de esperança.
O fio tênue da semelhança
entre as profecias
e a realidade dos espelhos
é o que acontece nas ruas.
No final do dia..final dos tempos
que juramos não perdê-lo,
mas não podemos perder
o que já não temos.
Fim de tudo é o que
não queremos, mas é
o que vemos.
No final são perdas, danos
e enganos.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

A casa perfeita.

A casa perfeita é aquela na qual ninguém morre,
sem cachorros, sem vizinhos ou pátio para limpar.
Não tem paredes que todo fim de ano se precise pintar.
Que ninguém ligue por engano, pois telefone não há.
Não receba visitas, seja longe da avenida,
distante de escolas, de políticos pedindo esmolas.
Não capte tv, longe das rotas do correio
que forasteiros tenham receio de olhar para lá.
A casa perfeita é a casa dos sonhos
que não tenha barulho nem gritos medonhos
sem entulho ou lixo por todo lugar.
A casa perfeita não precisa de ar puro
não tem passado, presente ou futuro
é discreta perto de nada
não tem linha de ônibus, taxi nem parada
que ninguém saiba como chegar
não precisa jardim, varanda ou pomar
pode ser no fim do mundo, no fim da linha
mas que seja só minha
onde eu durma olhando estrelas
sob a luz do luar.

Dieta.


O talinho da maçã não é comestível,
ainda bem que percebi em tempo.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

terça-feira, 8 de junho de 2010

Desaudades.


"Atelier vazio" - Agosto 2009


Sinto imensa saudade de lugares
onde nunca estive...e pena de mim,
pois não aproveitei quando não estava lá..
Sinto falta das coisas que nunca senti..não ser
o que jamais seria e não fui...nem poderia,
não era quem não sou.
A dor que sinto agora é por coisas que não fiz
e não me deixei fazer...ainda não vivia.
Quando não me lembro daquilo que não passei...sinto uma
saudade legítima...infinita,
de uma paixão que não senti,
de lugares que nunca vi,
de não ser eu,
quem não fui.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Pesquisa.

"Como estamos entrando em período pré-eleitoral, já
vou me antecipando e realizando uma pesquisa de opinião
muito relevante. A pergunta é pertinente, tendo em vista
a forte tendência de um  blog de poemas ser eliminado pelo seu criador".

A pergunta é: O Blog Queropoema deve ser extinto?

Resultado da pesquisa:

80% - Não sabe do que se trata
37% - Nunca ouviu falar.
98% - Só se interessa por futebol, mulher pelada e cerveja.
46% - Poesia é coisa de veado.(Em tempo, não sei o que significa
a palavra "viado", por essa razão escrevi da maneira tradicional)
15% - Pediu para repetir a pergunta.
10% - Achou que era pegadinha.
01% - Acha que o universo da internet já é uma merda, não iria
fazer a menor diferença.

Observação: Dois leitores foram ouvidos sendo que um se recusou a responder...!

domingo, 6 de junho de 2010

Unanimidade e utopia.

Quando escrevemos numa página em branco
é tudo fruto do nosso livre pensar.
Se fosse um diário que pudeesse ficar escondido,
nossos termos seriam outros.
Não precisaríamos nos preocupar com
a falta de compreensão, pois essa seria
só da nossa parte.
Mas estamos escrevendo num extenso fio eletrônico
que se abre ao mundo. Num piscar de olhos
atravessamos o planeta.
De repente, milhões de pessoas estão sabendo o que
pensamos, o que queremos e o que não ousamos querer.
Portanto, precisamos ser claros, ou ao menos tentar.
Poucas pessoas têm a sensibilidade aguçada ao ponto
de entender nossa intenção quando não a revelamos.
Poucos conseguem ler pensamentos nas entrelinhas.
É também reduzido o número de pessoas que se aventuram
nas palavras que possuem o dom de se fazer entender.
Muitos não têm esse interesse, mas reclamam quando os
outros não os entendem. Se contamos um segredo, não
podemos querer que ninguém saiba. Se usamos metáforas
temos que aceitar que alguém não nos entenda. Se falamos
meias palavras, não podemos reclamar a falta de bons
entendedores.
Sejamos honestos para conosco. Esperemos a reciprocidade
naturalmente.

Nada é mais democrático do que um papel em branco. Podemos
escrever o que bem entendermos. Muitos se tornam poetas,
outros romancistas, articulistas, cronistas, etc...
A página vazia aceita tudo, mas os olhos nem sempre.
Temos que aceitar quando não somos aceitos ou
simplesmente esquecer. A unanimidade não existe, em
nenhum setor da atividade humana. A compreensão é
a recompensa dos que se fazem compreender.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Conclusão após ócio.

Algumas coisas são fundamentais, outras
nem tanto. Essas nem tanto são
as que a gente mais come.

terça-feira, 1 de junho de 2010

João, Maria e um mosquito.

Um mosquito esquisito
sobrevoa aflito
um cadáver de aranha...estranha
dentro dum copo
" me alegro mas não topo"
enquanto a tarde se esquece.
As horas voam
o relógio que se apresse
e chega João, vem Maria.
Fim de tarde, de um mau dia
quando sobra energia
a luz fraca se apaga.
João já não entende Maria
que senta junto à chaleira
que o fogo brando afaga
para inundar a erva amarga
que o tempo irá sovar.
O mosquito esquisito...maldito
sem compromisso
sonha enquanto isso
mas da aranha esquece
e absorto numa prece
tenta fugir do copo.
Engraçado, foi fácil entrar,
mas agora só o que faz é olhar
através do vidro opaco
voa em círculos
e já está fraco
de tanto voar
e temer
de nunca mais poder
ser livre
para João
ou Maria
ferroar.

Tempo perdido.

O tempo está passando muito depressa.
As noites não são mais crianças...os dias
voam.
Acho que meu pai tem razão ao afirmar
que a Terra está girando mais rápido.
Talvez tenha perdido massa.
Todos perdem junto.
O tempo não está mais ao nosso lado.
Já não temos tempo para nada.
Não pertence mais aos homens,
estamos à deriva
somente a Terra solta no universo.
Não somos mais a principal criatura
terrestre.

O tempo já não é mais o pai da razão.
Os dias, as noites e nós.
Desafiam e giram rapidamente
os planetas perdidos.
Ao nosso lado à deriva não somos o universo.
A massa não pertence e tudo se perde, nada se transforma.
Não há mais Terra, principal criatura.
Os homens juntos ao tempo afirmam,
crianças não voam!

Para Rosa sonhadora.

A saudade é a única
roupa do passado
que ainda nos serve.

Sobre o poema "Vestida de Saudade".