quinta-feira, 19 de março de 2009

Guia


Te vejo distante

minha estrela

penso que posso

dar-te um beijo

em plena luz do dia

em qual permaneces

oculta madura

feito limo sem pedra

adormeço

ronceiro de prazer

na dança das mãos

num simples sonhar

teus olhos de cedro-bronze

sutil toque celular

de células pulsantes

como o intermitente esculpir

eis teu servo

que te acalanta

que te vigia

te liberta

ousando livrar-te

deste catre de rocha

onde a escuridão me espreita

onde podes te perder

e nem me perdoarias

porque te

quero nua

ou só

te faço crua

sob a nudez do meu

olhar.

Um comentário:

Simone Aver disse...

São nuas as ruas estreitas por onde se escolhe andar. E sempre se escolhe. Sempre se tem isso que se conhece por escolha. E se as formas tomam forma nas mãos do artista, tanto maior será a alegria de ver a obra pronta, vestida de mármore pulsante, enriquecida pelos olhos alheios que viram na pedra bruta o contorno dos seios. Lindo poema. Abraço.