
Alguém canta o outro chora
são abolidos os risos febrís
as despedidas fazem encontros
momentos irreais e sem sentido.
Máquinas ocupam o espaço possível
cartazes de dizeres loucos indicam as direções
Pedestres fazem comícios ininteligíves
enquanto os deputados mijam nas calçadas.
Padres às portas das igrejas
exortam os infiéis a voltarem aos presídios.
As guerras cessam por falta de gente para morrer.
Os muitos famintos olham para restaurantes,
vazios, frios
tifo, tétano e malária.
Ácido nítrico, sulfúrico e úrico
monóxido de carbono lixo tóxico
chuva ácida
morte tácita, plácida e tática
derradeira e estúpida
cirurgia.
Mista cortada no externo, xifóide
onde tremula o músculo oco
frouxo dolorido.
Crianças xilófagas com madeira entre os dentes
sobre as rendas de cortinas
espalhadas na sarjeta.
Um pouco de tudo
para nada existir.
Um comentário:
Ácido e cortante! Muitas vezes precisamos dizer o que é duro para outros ouvirem. bj
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