quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Passagem.

Dedilhei os meus sonhos
e cada nota pulsava enganos.
Era a minha vida
em resposta ao silêncio.
Enquanto a melodia calada
em cada arfar indagava
o que foi feito do tempo
que eu não tinha a perder?
Se não perdi,
onde está?

sábado, 4 de dezembro de 2010

Inverso..

Hoje nada tenho de real
nem em meus olhos
ou nos caminhos inversos.
Não traço figuras
resultantes dos rescunhos
porque de nada valem
além de definirem meu rosto.
Hoje nem os fantasmas
nem as lembranças
nada me aprisiona
além de aferrarem
minha vida..

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Por Acaso

Estou no seu caminho e não é por
acaso.
Nem pense que gritar sua arrogância
mudará esse augúrio..
Por isso não se desfaça de seus sonhos,
mesmo aqueles ainda não nascidos...
Não refaça planos de não se envolver..
Depois que lhe vi, seus olhos gravaram
de desejos os meus olhos..
Agora são meus os seus medos
são seus os meus credos
é nosso esse caminho
que você seguirá sozinha
dentro de mim...

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Lembrei você

Lembrei um poema de Vinícius
só para poder lembrar você
era um tempo em que se vivia
se sorria sem mesmo saber porquê..
Só de tanta saudade
saudade daquela canção
que falava do amor infinito
que pulsava em meu coração.
Lembrei de meus versos bobos
como esse que acabei de escrever
enquanto nas esquinas a gente se amava
a felicidade existia sem a gente saber!!

sábado, 23 de outubro de 2010

Vítima

Ela tomou de
assalto
à mão desarmada
meu amor ou a vida
acordei num
sobressalto
com a cama desarrumada
e uma paixão
mal resolvida.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Refúgio

Quero
me refugiar nas ondas
calmas da tua voz
na penumbra acastanhada dos
teus olhos
no perfume das tuas mãos
no gosto doce
dos teus lábios.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

sábado, 9 de outubro de 2010

A estranha

Caminhava

como se não quisesse chegar
a lugar nenhum.
Cada pedacinho
de chão representava
uma grande marcha.
A vida é mesmo assim...estranha.
Ninguém se importa
todos pensam diferente
alguns nem pensam.
Mas a vida anda
e não espera por ela.
Continua a caminhada
passo a passo sem olhar
para lado algum.
A vida é insana mesmo
ninguém pede licença
não pedem desculpa
e não dizem
muito obrigado.
Só ela faz tudo isso
e mesmo assim
ninguém se importa
ninguém ouve
não sabem que ela
ainda está viva
ou...ela não
sabe?
Estranha...

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Além do mar.

Teus olhos negros são brilhantes
que claream a noite como fulgor estelar.
Teus cabelos são como ondas densas
de puro desejo...perfumando as flores
que se enfeitam ao te verem passar.
A tua pele é macia
e tenra como a rosa púrpura
rainha do jardim
a quem emprestas o perfume e a cor
dos teus lábios..... carmim.

Olha com vagar e vê...
quanta beleza tens
para me dar.
Te vejo tão triste
atrás do horizonte
num lugar tão distante
demais para te tocar
mas navego no sonho
nas asas do vento
às terras ao longe
do outro lado do mar.

Chego à noite
num clarão de lua
nesta canção só tua
te abraço...e entôo meu cantar.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Tardio

Não.....eu não sei quem escreve essas palavras.
Não conheço
estes olhos de fundo avermelhados
essas marcas profundas de um estranho sofrer.
Não sei de onde vem
este buscar insano
essa agonia constante num esperar ímprobo,
pois essa esperança...
nasceu morta.

É tarde.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Toque

Se tocares numa escultura....tocarás
suavemente a alma do escultor,
por mais dura que seja a  pedra,
por mais forte que seja a dor.

domingo, 26 de setembro de 2010

Órbita

Crio imagens à tua semelhança
mas é tudo ilusão
mera esperança
alguns versos voam libertos
outros em paz se encontram
esquecidos encobertos
em órbita dos teus olhos
na minha canção.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Versos para ninguém.

Hoje escrevo para ninguém
que cedo, muito tarde
em meu caminho vem.
Quando ninguém passou
um rastro de suave fragrância deixou
vi seus olhos negros, demais
sua juventude morena que me enfeitiçou.
Ela nunca me olhou... duas vezes
eu a olhei milhares de vezes mais.
Seu andar suave
seus lábios perfeitos
a pele alva atraindo meu olhar.
A vida recém lhe abriu os  primeiros raios
enquanto eu.....me escondo na penumbra
do entardecer.
Escrevo agora à ela que é ninguém
assim como sempre serei ninguém para ela.
Por isso nos merecemos
e a minha paixão tem onde existir
posso me deixar nela fluir
tenho a quem dizer...te quero!
te espero....passar
que nao consigo ficar
sem te ver,
em teu flutuar provocante
em teu lindo corpo infante
quando teus quadris balançam
acompanhando a órbita dos teus cabelos
o ritmar dos teus seios e meus apelos.
Me sinto a salvo...pois nunca fui alvo
do teu olhar juvenil.
Mas não sei até quando
poderei suportar só olhando
sem poder te tocar
sentir teu negro olhar
e confessar...
que um dia fui alguém
mas hoje sou só quem
faz versos
para ninguém.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Tempo qualquer.

Hoje ainda não sei para onde
vão as pessoas que fogem
ou se as marcas deixadas
serviriam de estrada.
Servem para nada!
Hoje ainda não sei
porque espiam as pessoas
através das vidraças
se só podemos ver os corpos presos
sob o tecido fino da
vida.

Hoje minhas mãos cobrem
meu rosto, mas não cobrem minha dor
enquanto fujo
busco razões no passado
para aceitar o presente

Ainda não sei porque me escondo
mesmo sabendo que jamais
deixaria de me encontrar dentro de mim.

Hoje ainda me vejo no reverso
do tempo perdido...nunca havido
e as canções que fazia por pura
demência, além do controle rígido
da minha própria incerteza de que existiam
as canções e as palavras
que nunca foram minhas...
nem por mim ditas
em um tempo qualquer.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Assim ao luar.

Assim ao luar
teus olhos são profundos
abismos insondáveis
de mares inavegáveis
donde nem como Ulisses
poderia voltar.
Tudo em ti é inconstante
indecifrável, inebriante
toda em curvas ascedentes
me levam às encostas
soturnas derradeiras tangentes
cobertos de enigmas indizíveis
intraduzíveis
hieróglifos escondidos
gritos inaudíveis.

Enquanto jaz em tua voz
tudo que eu jamais falaria
nem como arauto gritar..ousaria.
Em teu sorriso selo
minha dor e alegria
em teus lábios meu beijo apelo
sob a luz dos teus olhos
negros profundos
porém raros de mistério
como a luz do luar.

sábado, 11 de setembro de 2010

O Poeta iletrado (A meu pedido)



A MEU PEDIDO REEDITO ESTE POEMA.



Então! Era uma vez:
Numa pequena cidade
muito pequena talvez,
para conter tanta maldade.

Porém neste vilarejo nascera
forte, uma linda criança
que sofrendo muito, crescera
réprobo pela vizinhança

Nem passou perto da escola,
audácia ele se atrever
entretanto só por esmola
analfabeto lhe deixaram viver

Uma batina em algodão cru
era que o menino vestia
só para não lhe ver nu
o padre por "nobreza" cedia

Era só o que faltaria
além de pateta o esfomeado
sem aquela batina estaria
completamente pelado

Mas ao cabo de dois anos
vejam só quanta ironia
com andrajos franciscanos
é que sua roupa parecia.

Assim sopravam os ventos
perambulava o chamado pateta
Mas ora vejam! Ele tinha intentos
de um dia se tornar um poeta.

Mas esse louco queria
uma coisa tão estranha
logo ele que vivia
numa miséria tamanha.

Mas que menino tão tolo
ser poeta sem saber ler
nem um nome por consolo
lhe fôra dado saber.

Assim de um lado para outro
como bardo louco corria
sujo e suado como um potro
todos riam, ele sorria.

Sem um nome e iletrado
sonhava amores na primavera
lhe chamavam de enjeitado
e ele nem sabia o que era.

Seus olhos ninguém via
jamais ousara olhar alguém
amava uma moça? Mas quem seria?
Nunca diria, nem ao padre, nem a ninguém.

Um dia, o poeta cometeu um engano
quis ao seu amor um poema recitar
Mas que petulância, farrapo humano
poeta pateta está querendo apanhar.

E naquele domingo na praça da igreja
uma linda moça para o poeta olhou
com lindos olhos verdes como carqueja
faces macias que o sol corou

Aquele olhar tão belo e franco
encorajou o poeta a seguir
e duma folha de papel em branco
que lia algo, começou a fingir.

Eram palavras singelas
mas de tão belo sentimento
que as pessoas nas janelas
se emocionaram por tal lamento

O amor ao vento ecoava
na bela voz daquele menestrel
mas esse vento que soprava
traria notícias de um destino cruel.

Uma mulher fina, mas invejosa
logo começou a comentar,
"mas que memória prodigiosa
para tantos versos guardar".

Os olhos da moça brilhavam
num verdejante fulgurar
enquanto os versos voavam
a Deusa da Arte se fez presenciar.

Até Hélios, o deus do sol, recuou
com a presença da formosa deusa,
o vento que era forte amainou
diante dum quadro de tanta beleza.

A moça sorria em toda sua graça
o poeta delirava o seu insano irromper
naquele domingo em plena praça
declamava o poema que ele não podia escrever.

Porém o jovem poeta sentiu
toda força da divindade
um grande estrondo se ouviu
estremecendo a cidade.

A Deusa da Arte abraçou
aquele pobre menino
e consigo ela o levou
para o seu verdadeiro destino.

Assim quis a divina musa
em toda sua sabedoria
que aquela gente tão confusa
seus versos não mereceria.

Então um tiro cruel e certeiro
atingiu o peito do poeta
que caindo por inteiro
deixou a sua poesia incompleta.

Porém a deusa da sorte
ainda tinha outro querer
dar ao poeta em sua morte
o que ele não teve ao viver.

Foi então que a donzela
de verde jade no olhar
sobre o poeta defronte à capela.
tombou já sem respirar.

Os dois que aquela vil cidade
não lhes merecera jamais
viveriam toda liberdade
noutro plano onde todos são iguais.

O poeta então viveria
o seu eterno devaneio
para a sua amada cantaria
versos plenos de floreio.

Porém a deusa em sua vingança
ainda não estava satisfeita
chamou Eólo em sua presença
e deu-lhe a última empreita.

Mandou que o deus do vento pegasse
toda palavra que do poema foi perdida
e que todo domingo a soprasse
que na cidade inteira fosse ouvida.

Apesar de toda a sua vaidade
aquele povo se convenceu
que o único artista de verdade
a pobre cidade perdeu

"A cidade do poeta andante"
assim ficou conhecida
todo domingo em qualquer brisa pulsante
a bela voz do poeta era sentida.

A Deusa da Arte escolhe seus filhos
mas nem sempre lhes deixa viver
melhor mantê-los em eterno exílio
do que deixá-los sofrer

E a vila e seus moradores
foram condenados a eternamente ouvir
nos versos do iletrado, suas dores
e todo o seu amor
num mais puro
sentir.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Veleiro.

Posto olhos no horizonte
onde as linhas paralelas das mãos
se encontram.
Que nem partisses num veleiro,
ficaria te olhando
até não esquecer mais...

Tão tolo

Neste dia...tão tolo
eu queria
andar, andar por aí.
Ouvir
a água nascente.
Ver a tarde parir
a brisa da noite
quente...e
sonhar, sonhar
que ainda estavas
aqui.

sábado, 4 de setembro de 2010

Gianine


Durante a nossa caminhada
perdemos muito e ganhamos também.
Mas o que perdemos, dói demais.
A estrada me tirou Gianine.
Não gosto culpar o tempo, nem a vida.
Simplesmente a dela terminou mais cedo.
Ficou a saudade...imensa
assim como essa foto, meio
nas sombras.
Dela e de um eu que não
existe mais.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Deixa assim.

Acho melhor...
ficar assim meio de esguelha
vendo o barro grudado na sola
se soltar.
A vida não nos dá a resposta
absoluta, nem nos ensina a tão
sonhada invisibilidade.

Mas acho que é melhor..
ficar assim...
não precisa responder...
deixa assim!

Contas

Presto contas ao destino.
De algumas perdas faço graça.
Foram-se alguns anéis e com
os dedos restantes aponto ao infinito.
Vou riscando os números das casas
em quais não vivi.
Dia após dia sem saber se
sobrará algo a somar.
Não sei de valores,
nem mesmo das contas que me restam
a pagar.
Perdôo a todos, devedores ou não, mas
não quero ter minhas dívidas perdoadas.
Só não atenderei os credores em
minha porta, deste constrangimento
peço ser poupado.
Não me venha o futuro cobrar
o que o passado não
me deixou comprar...

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Nhô Vito.

As estradas abrigam seus sonhos
assim como os insetos rasteiros,
companheiros involuntários, mal sabem
a que mundo pertencem.
Cada cerca sem dono, guarda fantasmas
e seus escravos
que a cada instante de dor,
buscavam na memória inexistente,
a terra em que nasceram
o motivo pelo qual vieram
e a razão para
tão amargo destino,
ser livre...e morrer.

"Ixa vida seu Danieli, ceis sum
treis irmão qui nem pareia"

"Feliz dia do trabaio"

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Tríptico em vermelho.

O silêncio de vidro é quebrado pela
sofreguidão da manhã.
Nada é em vão
nem as portas de tela fina
que me separam do sol.
Nada é inútil
nem as longas andejas
sobre dormentes descarrilados
das mil bocas esfomeadas
do tríptico em vermelho...

que nunca foi pintado.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Fantoches foragidos.

Os passos controlados
por esteiras medidas
sob a intensa luz dos holofotes alienígenas.
Olho teu rosto à sombra
busco uma carícia...uma delícia desesperada
com minhas mãos trêmulas presas no fio.
Descompassados fora de controle
ardemos os dois numa espera sem fim
quando as luzes se apagam
a platéia dispersa sorri
as cortinas desabam
minhas mãos deslisam livres
das mãos algozes
sobre teu seio nu.

Te beijo ofegante
em meio ao guinchar das roldanas
e o espetáculo...a vida
não pode parar.

domingo, 22 de agosto de 2010

Vida

Quero o manual do proprietário.
Alguém tem?

Terra Incógnita.



Envolvidas num silêncio contemporâneo
essas esculturas são as últimas
testemunhas de um Brasil desenvolvido
que nunca existiu.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Anônimo.


Obra de Stela Medeiros.


Para tanto...aprendi
entre tanto que não sei
além desse poder que
caiu sobre minhas mãos
dentre tantas
dádivas dantes perdidas.
Para ser nada, do que sou
apenas um rosto
que ainda se repete
que quase não respira
numa multidão invisível
fingindo não se ver.

Sou aquele que não brilha
nem assombra
e nem soma.

Não está.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Assim

Mesmo que ninguém aceite...a vida cobra seu preço.
Desmancha os coretos nas praças
derruba as teses dos discursos.
Ainda que ninguém queira...os cabelos do tempo
caem nos ralos.
Até as árvores mais fortes deixam de dar frutos.
Os rios recobram seus leitos
o mato recobre os caminhos
as vozes se calam
o inverno cumpre seu destino
as cortinas apodrecem
já não ouvimos os cães na madrugada.

A luz se apaga
enquanto as bocas se atraem
num beijo derradeiro.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Resposta

Já não quero mais
teus cabelos sobre meu peito,
teu corpo quente dentre os calos das minhas mãos.
Não preciso mais do farol dos teus olhos
do frescor de todos teus lábios
tua palavra...que sei de cor.
Já não penso em teus seios intumescidos
na resistência tenra das tuas
coxas sob as minhas.
Esqueci do bálsamo vibrante
do escorrer das tuas mãos em minhas costas.

De nada me serve...sentir o suspirar
denso do teu gozo
nem posso mais com teu sorriso
tua respiração em meu pescoço
teu explorar minucioso
sobre as veias dos meus braços cansados.

Jã não posso viver
sem estares
em mim.

domingo, 8 de agosto de 2010

Razão.


Pássaro anjo. Obra de Stela Medeiros


A razão às vezes se intromete
entre mim e meus sonhos.
"Precisas ser mais gentil contigo", diz!
Na verdade ninguém quer mais a minha felicidade
do que eu mesmo.
Todavia, errar sempre não pode ser
um projeto de vida.
Paz!
Para mim e para os meus botões
carcomidos.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

O poeta e seu castelo.




Andei por tantas ruas.
Rua dos desatentos, dos cataventos
ruas de espinhos.
Rua da saudade....que senti.
Das primaveras, dos passarinhos.
Andei pela cidade....alegre,
rua da praia, sem praia sem fim.
Por conta imprópria, mas na hora própria...fugi
pra dentro de mim.

Enquanto isso em Porto Aegre...
O Prédio do antigo hotel Majestic, abriga
a Casa de Cultura Mário Quintana. Em seu
segundo andar, conserva quase inalterado,
o quarto do poeta.
Não apenas um quarto, mas o seu
castelo.

sábado, 31 de julho de 2010

Sorriso.

Eu juro que sabia sorrir.
Lembro que o som de meu riso
se misturava às palavras do dia.

À noite num porto seguro
meu riso orientava os barcos
atraía os loucos
e os conduzia ao céu.

Eu lembro, não faz tanto tempo.
De tão espontâneo
surpreendia as visitas.

Meu riso sorria,
meu sorriso se ria,
numa última lembrança
sem medo...de mim.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Jorge Kersting 1919 - 2010.



"Eu tenho absoluta certeza de que a vida é eterna".

"Estamos na Terra apenas para amar e respeitar a
todos seres vivos e a própria natureza".

"Fazendo e semeando o bem estaremos alimentando nossas
vidas de luz".

"Quanto mais luz houver em minha vida, maior será a
minha chance de "viver" junto à energia cósmica que
rege o universo".

"A minha vida não morre, ela sai do meu corpo e se une
à eterna luz de todas as vidas".

Quem teve o privilégio de conviver com seu Jorge, certamente
também teve a graça de ouvir essas e outras dezenas de frazes
proferidas por ele.
Quase em sua totalidade sobre temas densos e profundos, porém
tratados com simplicidade e nenhuma pretensão de arrogar
sabedoria. Entretanto, devo deixar claro que a sabedoria
deste homem transcendeu em muito às frases ditas.

Um simples olhar ou um sorriso diziam tanto ou mais que
qualquer palavra. Esse poder não é uma prerrogativa de
todos os mortais, mas sim daqueles que atingem um
desenvolvimento espiritual ainda em vida e conseguem
transmitir essa plenitude para outras pessoas independente
do estágio evolutivo dessas.

"Eu estive lá e estava tão bom. Porquê eu voltei"?

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Fim de uma etapa.



"A vida não morre. Sai de uma de suas
casas para habitar em outra".

Aos 91 anos o mestre em fundição, escultor, desenhista, pintor,
poeta, filósofo e músico Jorge Kersting ou simplesmente o seu
Jorge, cumpre um dos ciclos de sua estrada.
Até algum dia, meu pai!!

23 de julho de 2010

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Para não te esquecer.

Aprendi a te gostar sem tentar te esquecer.
Já não me pego perguntando, o que quer
essa mulher?
Só vejo em teus olhos, aquela luz
de uma lágrima que ainda não se formou.
Em teu rosto, a risada que se fez eco, mas não produziu som.
Vejo uma alegria riscada de tristeza
e uma tentativa vã de ocultar.
Não quero te esquecer.
Esquecer não é igual a não lembrar,
são grandezas quase opostas.
Esquecer é cair num vazio onde a escuridão
é a única passagem.
Não lembrar? É ter a certeza de que se viveu
algo muito bom, a sensação de que tudo pode
voltar...em qualquer momento
em qualquer lugar.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Sonho possível?

Faço o possível.
O impossível se parece com um incesto,
nasce comigo, meia irmã do meio dia.
O que me é imposto deixo ao sonho
entre um amanhã tão esperado,
e o desespero de hoje.
No final de muitas contas,
faço de contas.
Faço o que faço
assim vou vivendo,
contando as horas
em que me deixam andar.
Em poucas semanas
talvez alguns anos
já não serei minhas palavras.
Tentarei fazer do possível,
um impossível sonhar..

domingo, 18 de julho de 2010

Caminho contrário.

Ao mesmo tempo que finges fugir
eu finjo te seguir.
Pelo caminho contrário
só para não dizer
que te quero
que te espero
até o fim de amanhã.

Onde está a surpresa?
Acho que todo amor
assim deve ser.
Jamais fingir ser sincero
e nunca fingir
ser amor.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Para ninguém ler.

Há tantas verdades escondidas
nas frases que não serão lidas.
Há tantos pesares, amores perdidos
nos versos esquecidos
dos poemas jamais escritos
e paixões mal resolvidas
cantares não ouvidos
dentre alegres chegadas
sem as tristes partidas.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Horas vagas.

As horas são vagas
incertas, de espera.
São longas e raras.
Navegam ao vento,
desastrado, ora lento.
São horas marcadas,
são favas contadas,
enganos e encontros.
As horas são contas,
são contos,
de fadas
e monstros.
Hora esquecida
mal resolvida.
Materia e notícias
são horas propícias
para vagar desatento,
em busca do alento
nas vagas da vida.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Arte x supérfluo.


A Arte é uma atividade que
está longe de ser qualificada como supérflua.
Ela vem de uma necessidade visceral do ser
humano, seja, a necessidade de expressão.
Ninguém consegue viver sem se expressar e a Arte
se manifesta exatamente neste sentido.
Independente de qual seja a qualidade dessa manifestação,
qual seja a sua origem, o grau de envolvimento do agente,
nação, credo, raça, etc...todas só serão possíveis
através da Arte.
Aqueles que conseguem materializar seus sonhos por intermédio
dela, são os chamados artistas, quando na verdade, a Arte
está presente em "todo" indivíduo humano. E todos, a partir do
primeiro respirar até o último, estarão se manifestando...
artisticamente.
Junto ao primeiro ar que insufla nossos pulmões, recebemos
o quinhão de Arte "necessário" para nossa existência e
carregamos pelo resto do caminho exercendo-a inteiramente.
Ela foi a primeira habilidade que nossos ancestrais receberam
e com a qual conseguiram sobreviver às agruras impostas.
Sem essa habilidade, a humanidade não teria chegado até aqui.

Supérfluo? Sinceramente, nem sei se existe algo que possamos
qualificar dessa forma, entretanto sei que a Arte é uma
das principais necessidades humanas, sem ela, seria impossível
viver.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Para os detentores da crítica construtiva.

Sempre quis ser um grande homem.
É claro que essas coisas povoam o nosso imaginário
durante um certo tempo, depois passam. Nem sempre
sabemos se conseguimos ser ou não, então quem se importa?
Sinceramente, não vejo muitos méritos nisso.
Já temos batalhas diárias com pequeninas questões que
acabam se tornando imensas..Isso realmente é muito
mais importante.
Meu esforço para trabalhar não é tão grande, mas a
resistência para veicular o trabalho é praticamente
insuperável..Não há dificuldade naquilo que realizo, nem
deveria, pois qualquer atividade humana tem que ser leve
e fluir naturalmente.
Então quais são as barreiras que tanto nos atrapalham?
Creio ser difícil para qualquer pessoa definir algo que
ela plantou inconscientemente. Em geral, nos dizem isso,
tu mesmo está dificultando a tua vida.
É! Parece bem fácil olhar a cara do outro e apontar seus
supostos erros. Mas, as soluções?
Crítica construtiva na verdade é um boa desculpa para
esculachar o próximo. Quando alguém começa a conversa com
essa máxima, "vou fazer uma crítica construtiva", podemos
ter certeza de que lá vem esculacho.
Chega o momento derradeiro em que temos de tomar atitudes
meio drásticas, tipo, vou ficar quieto no meu canto e não
vou dar conversa para ninguém. Eu digo de cadeira, não
façam isso! Porque é exatamente isso que querem que
façamos.
Existe uma formação para críticos. Não, não é uma formação
de escola, mas uma formação de fracassos e frustrações.
Ninguém teria na realidade condições de criticar quem
fosse, pois ninguém sabe das dificuldades de cada um.
"Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é". Caetano já
definiu a individualidade humana com essa frase.
Dessa maneira, acredito que aquele que se arroga as condições
para criticar é porque já fracassou em todas as atividades
e tentativas. É muito mais fácil falar mal do que fazer,
não é mesmo?

domingo, 13 de junho de 2010

Ritos e profecias.

Final de tarde...fim do mundo
talvez fosse melhor
que se perdesse o tempo
do que perder o pouco que resta
do olhar de esperança.
O fio tênue da semelhança
entre as profecias
e a realidade dos espelhos
é o que acontece nas ruas.
No final do dia..final dos tempos
que juramos não perdê-lo,
mas não podemos perder
o que já não temos.
Fim de tudo é o que
não queremos, mas é
o que vemos.
No final são perdas, danos
e enganos.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

A casa perfeita.

A casa perfeita é aquela na qual ninguém morre,
sem cachorros, sem vizinhos ou pátio para limpar.
Não tem paredes que todo fim de ano se precise pintar.
Que ninguém ligue por engano, pois telefone não há.
Não receba visitas, seja longe da avenida,
distante de escolas, de políticos pedindo esmolas.
Não capte tv, longe das rotas do correio
que forasteiros tenham receio de olhar para lá.
A casa perfeita é a casa dos sonhos
que não tenha barulho nem gritos medonhos
sem entulho ou lixo por todo lugar.
A casa perfeita não precisa de ar puro
não tem passado, presente ou futuro
é discreta perto de nada
não tem linha de ônibus, taxi nem parada
que ninguém saiba como chegar
não precisa jardim, varanda ou pomar
pode ser no fim do mundo, no fim da linha
mas que seja só minha
onde eu durma olhando estrelas
sob a luz do luar.

Dieta.


O talinho da maçã não é comestível,
ainda bem que percebi em tempo.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

terça-feira, 8 de junho de 2010

Desaudades.


"Atelier vazio" - Agosto 2009


Sinto imensa saudade de lugares
onde nunca estive...e pena de mim,
pois não aproveitei quando não estava lá..
Sinto falta das coisas que nunca senti..não ser
o que jamais seria e não fui...nem poderia,
não era quem não sou.
A dor que sinto agora é por coisas que não fiz
e não me deixei fazer...ainda não vivia.
Quando não me lembro daquilo que não passei...sinto uma
saudade legítima...infinita,
de uma paixão que não senti,
de lugares que nunca vi,
de não ser eu,
quem não fui.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Pesquisa.

"Como estamos entrando em período pré-eleitoral, já
vou me antecipando e realizando uma pesquisa de opinião
muito relevante. A pergunta é pertinente, tendo em vista
a forte tendência de um  blog de poemas ser eliminado pelo seu criador".

A pergunta é: O Blog Queropoema deve ser extinto?

Resultado da pesquisa:

80% - Não sabe do que se trata
37% - Nunca ouviu falar.
98% - Só se interessa por futebol, mulher pelada e cerveja.
46% - Poesia é coisa de veado.(Em tempo, não sei o que significa
a palavra "viado", por essa razão escrevi da maneira tradicional)
15% - Pediu para repetir a pergunta.
10% - Achou que era pegadinha.
01% - Acha que o universo da internet já é uma merda, não iria
fazer a menor diferença.

Observação: Dois leitores foram ouvidos sendo que um se recusou a responder...!

domingo, 6 de junho de 2010

Unanimidade e utopia.

Quando escrevemos numa página em branco
é tudo fruto do nosso livre pensar.
Se fosse um diário que pudeesse ficar escondido,
nossos termos seriam outros.
Não precisaríamos nos preocupar com
a falta de compreensão, pois essa seria
só da nossa parte.
Mas estamos escrevendo num extenso fio eletrônico
que se abre ao mundo. Num piscar de olhos
atravessamos o planeta.
De repente, milhões de pessoas estão sabendo o que
pensamos, o que queremos e o que não ousamos querer.
Portanto, precisamos ser claros, ou ao menos tentar.
Poucas pessoas têm a sensibilidade aguçada ao ponto
de entender nossa intenção quando não a revelamos.
Poucos conseguem ler pensamentos nas entrelinhas.
É também reduzido o número de pessoas que se aventuram
nas palavras que possuem o dom de se fazer entender.
Muitos não têm esse interesse, mas reclamam quando os
outros não os entendem. Se contamos um segredo, não
podemos querer que ninguém saiba. Se usamos metáforas
temos que aceitar que alguém não nos entenda. Se falamos
meias palavras, não podemos reclamar a falta de bons
entendedores.
Sejamos honestos para conosco. Esperemos a reciprocidade
naturalmente.

Nada é mais democrático do que um papel em branco. Podemos
escrever o que bem entendermos. Muitos se tornam poetas,
outros romancistas, articulistas, cronistas, etc...
A página vazia aceita tudo, mas os olhos nem sempre.
Temos que aceitar quando não somos aceitos ou
simplesmente esquecer. A unanimidade não existe, em
nenhum setor da atividade humana. A compreensão é
a recompensa dos que se fazem compreender.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Conclusão após ócio.

Algumas coisas são fundamentais, outras
nem tanto. Essas nem tanto são
as que a gente mais come.

terça-feira, 1 de junho de 2010

João, Maria e um mosquito.

Um mosquito esquisito
sobrevoa aflito
um cadáver de aranha...estranha
dentro dum copo
" me alegro mas não topo"
enquanto a tarde se esquece.
As horas voam
o relógio que se apresse
e chega João, vem Maria.
Fim de tarde, de um mau dia
quando sobra energia
a luz fraca se apaga.
João já não entende Maria
que senta junto à chaleira
que o fogo brando afaga
para inundar a erva amarga
que o tempo irá sovar.
O mosquito esquisito...maldito
sem compromisso
sonha enquanto isso
mas da aranha esquece
e absorto numa prece
tenta fugir do copo.
Engraçado, foi fácil entrar,
mas agora só o que faz é olhar
através do vidro opaco
voa em círculos
e já está fraco
de tanto voar
e temer
de nunca mais poder
ser livre
para João
ou Maria
ferroar.

Tempo perdido.

O tempo está passando muito depressa.
As noites não são mais crianças...os dias
voam.
Acho que meu pai tem razão ao afirmar
que a Terra está girando mais rápido.
Talvez tenha perdido massa.
Todos perdem junto.
O tempo não está mais ao nosso lado.
Já não temos tempo para nada.
Não pertence mais aos homens,
estamos à deriva
somente a Terra solta no universo.
Não somos mais a principal criatura
terrestre.

O tempo já não é mais o pai da razão.
Os dias, as noites e nós.
Desafiam e giram rapidamente
os planetas perdidos.
Ao nosso lado à deriva não somos o universo.
A massa não pertence e tudo se perde, nada se transforma.
Não há mais Terra, principal criatura.
Os homens juntos ao tempo afirmam,
crianças não voam!

Para Rosa sonhadora.

A saudade é a única
roupa do passado
que ainda nos serve.

Sobre o poema "Vestida de Saudade".

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Louca visão.


"Cristo de São João da Cruz - Salvador Dali"


Daqui posso ver
o que deixo de mim
e o que não deixo...a ninguém.
Dali pareço...o que te pareces?
Um corpo sombrio, tela pintada
por um louco de arte.
Daqui pareço...o que sou.
Dali...o Salvador, pareço.
Uma caveira de boi presa numa cerca.
Dali, vejo o que deixo
e o que não posso deixar...levo comigo.

sábado, 29 de maio de 2010

Amanhã.

Nada como um dia após um pesadelo.
Terás um amanhã bem melhor.
Ficarás feliz ao perceber que fui apenas...
alguém distante, alguém que conheceste
brevemente num parque domingo à tarde.
Um amigo ocasional, daqueles que ajudam
a carregar os pacotes ou que
espantam as formigas num piquenique.
Sentirás um imenso alívio
ao constatar que não precisas escutar meus lamentos
que não tens nada a ver com meu sofrimento
e que podes mudar de canal e
esquecer tudo que eu disse.
Sentirás alegria ao notar minha ausência,
que fui apenas um porto perdido
nem precisarás suportar o peso
do meu corpo cansado.
Te sentirás feliz ao nascer de outro dia,
sem precisar carregar minhas angústias
nem sentir minhas mãos calejadas
puxando fios das sedas
sobre tua pele macia.

Ficarás satisfeita em saber
que não precisarás olhar meus olhos
e que tudo nessa vida passa
e que eu passei
também.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Ondas

Ondas que
avançam e recuam
num andar sem fim.
Respingos e rendas
espumejante
do mar...dela
em mim.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Tombo

Estou de cabeça na rua
e o tempo rege minha loucura,
filha única da minha solidão.
Dessa vez é fácil não mentir
é um caminho sem retorno...cair.
Por essa razão minhas mãos
já apalpam o meio fio,
já resvalam sobre os paralelepípedos centenários.
Por isso minha voz não será usada em vão
não mais.
Dessa vez é mais fácil não falar.
Estou de corpo e alma no mundo
não volto mais...

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Piá.


O mundo era maior
as estrelas, muito mais perto
ouvia-se o coaxar dos sapos
sentia-se o espocar dos cascos
e eu..era bem mais esperto.
No jogo de bola
bolita, pião...por aí
não perguntava,
não respondia,
não adiantava perguntar
coisas que ninguém sabia.
Horas corriam devagar
eu pensava que jamais chegaria
o momento que teria saudade
do passado, da liberdade
se me contassem, não acreditaria.

De repente a vida passou num tufão
rasgando o vento sobre a cabeça
escrevendo na pele
para que nunca esqueça
como a brasa da memória
na palma da mão.

O piá..cresceu no alumiar das luas
marcado a ferro e fogo pelas ruas
mas, se perdeu no escorrer do dia.
Cresceu e o mundo ficou bem pequeno
lambeu-se as feridas
sugou-se os venenos,
que foram injetados nas esquinas do corpo
enquanto a infância
fugia.

Quixote...sou. Quixote e Rocinante. Chapa de cobre. 1998



Cruzei mares, saltei rios,
sobre fogo cavalguei.
Venci.
Gigantes enfrentei, enlouquecido pela paixão.
Teus olhos morenos em si,
eram minha visão.
Cada pedra que encontrei,
toda batalha que perdi..
cruzando armas ao desconhecido,
por ti,
venci.

A amiga loucura.


Há muitas coisas que somente um louco
pode fazer sem ir preso, sendo
que todos perdoam suas sandices.
Nem por isso eu iria querer ser um.



Hummmm......, bem!!!!

terça-feira, 18 de maio de 2010

O primeiro romance.

Naquela manhã fria
ela deixou sua casamata.
Esqueceu seu escudo, a armadura
e o anel protetor.
Saiu sem nada,
nua e desarmada.
Não aceitou gentilezas, nem ensejos de
vitória.
Apenas deu bom dia...ao mundo,
às flores, ao dia.
E a tudo que via.
Primeira vez na sua vida
que não precisou de escudeiros
nem seus cavalos ligeiros.
Somente sua pele clara...sem dono
e um perfume primavera
naquela manhã de outono.

domingo, 16 de maio de 2010

O canto das horas.


"Menina na janela-Salvador Dali".




A noite soltou um grito
eram os espasmos das nuvens
ao fugirem do sol.
Restaram estrelas, brinquedos de lua
e assim se fez a luz do luar.
Em cada ser, o presente
buscou um sentido,
eu impediria se pudessem me ouvir.
Muitos se esconderam
atrás do sebo derretido das velas,
velhas fórmulas pacíficas
que tudo vêem e nada podem sentir.
As sombras se desfizeram
antes da noite gritar...teu nome,
antes do meu silêncio,
antes do canto e dos santos.
Alguém me lembrou do andar das horas
as mesmas que fazem a noite voltar.
As que me fazem pensar
nas coisas pequenas, amenas
loucas palavras
depois de tanto
calar.

sábado, 15 de maio de 2010

Catavento. Moinho de vento do parcão Porto Alegre


Catavento
cata o intento
enche a barriga de vento
gira gira sem sair do lugar.
Catavento
seu contratempo
é se um dia o vento
parar de ventar.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Romaria por nada.

Este é o momento
de pensar afinal
que a vida inteira
pode ser
um capítulo resumido
de uma novela
escrita com o dedo
lambuzado nas fezes
de uma cobra coral
deixadas sobre um prato
de vidro amarelo
que gira noutro prato
dentro do micro-ondas
com micro ondas quebrando
nos peitoris das janelas
na lanchonete
à beira da estrada
que leva romeiros
ao sítio da santa
com seu rosário de pedras
cintilantes onde as rezas
se repetem até o fim
da tarde que traz a lua
divida em pequenos pedaços
iluminando os espaços
fazendo o rio transbordar
fora do leito
meio sem jeito
e a chuva solta um pingo
quando for domingo
o pai de um gringo
na porta da venda
fumando cachimbo
e o sol vem vindo
iluminando os espaços
divididos em pedaços
onde jaz a lua
na boca da rua
que se repete
como reza da santa
que esperam os romeiros
que vêm pela estrada
até a lanchonete
no umbigo do dia
cotovelo da tarde
orelha da noite
abrem o micro-ondas
retiram do prato
de vidro amarelo
uma poesia vermelha
de fezes e sangue
da cobra
coral.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Pacto

Até hoje fiz tudo do jeito que me ordenaste.
Aceitei o sofrimento que me impingiste.
Jamais reclamei, se chorei foi em silêncio.
Até hoje suportei as humilhações que me impuseste.
Varei noites insone para honrar teu reino.
Sofri as angústias de fracassos e engodos
pela tua grandeza.
Nunca olhei para o passado
com olhos de incerteza quanto ao futuro.
Ouvi risos, sarcasmos e ofensas.
Tudo por querer te amar o tempo inteiro.
Te entreguei a minha vida, dentro dela, as asas
da minha liberdade.
E nunca me julgaste digno de ti.
Até hoje, não sei quem és,
nem sei quem sou, mas
morrerei gritando
teu nome.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Para onde vais gaudério?

De onde vens gaudério?
Com essa cara tristonha
com esse olhar de quem não sabe
a diferença entre
viver e sonhar?
Para onde caminhas, triste vaqueano?
Não vês que teu tempo terminou, mas a estrada
não termina?
Para que mentir, gaudério,
com essa saudade sem pátria?
Com essa calma patética
e esse pesar?
Toma cuidado com a vida que trazes.
Esquece teu sonho
e busca tua paz.

Já não há caminhos distantes,
noites de luas nem picadas cerradas.
Já não há campo aberto, galponeiras
risadas ou um amigo por perto.
Já não há as geadas cortantes
o pó das estradas nem o gado bravio.
Não há mais as virtudes das parcerias
da vida de sonhos
das carreteadas
nem minuano a soprar.

Para onde vais gaudério?

domingo, 9 de maio de 2010

Uma atividade urgente para a mão esquerda.

Ontem descobri uma coisa impressionante.
Algo maravilhoso que mudará minha vida
e a vida de todos em minha volta.
Descobri aquilo que certamente muitos gostariam de
descobrir. Eu sou meu irmão gêmeo.
Ninguém pode imaginar, nessas alturas de minha vida
descobrir uma coisa assim.
É simplesmente fantástica essa sensação de estar
acompanhado o tempo inteiro por uma pessoa tão
incrivelmente parecida comigo.
Essa..semelhança, essa cumplicidade. Somos iguais
em tudo.
Quando estou triste, sem saber porquê em segundos
começo a ficar triste também.
Quando estou alegre é a mesma coisa. Fico alegre
e começo a rir sem nenhuma razão aparente.

Sinto saudade quando estou distante, mas tenho a
nítida sensação de minha presença, sempre.
Tenho as mesmas vontades, a mesma fome e a mesma
preguiça de manhã.
O mais engraçado é que eu quero ser artista
e eu também.
Esse fenômeno inexplicável da humanidade, deixa
qualquer um fora de órbita. É por essa razão
que muitas pessoas procuram analistas.

Ainda bem que não preciso disso, pois tenho alguém
igual a mim para conversar sobre.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Bendita

Benditas sejam as mães...principalmente
aquelas que não puderam
ter filhos.
Sabe Deus quanto a humanidade perdeu
pelo fato dessas mães
não terem sido abençoadas.
Benditas sejam aquelas
que têm a ventura sublime
de criar filhos de outras
que não os quiseram ter
e nem vê-los crescer.
Bendita seja a mãe...
verdadeira.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Ainda há tempo!


Uma ínfima mostra dos animais ameaçados de extinção.
Como fundo, a música de David Antony Clark que por
si é um clamor ao bom senso, pois ainda há tempo.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Jogo de um milhão de erros.






Há distâncias entre as duas mulheres
talvez continentais.
Mas entre si há semelhanças
a maior delas é o sentimento.
Tanto uma quanto outra
é responsável por aquilo que carrega.
A diferença é que uma carrega
o resultado de um sistema global falido.

sábado, 1 de maio de 2010

Pé no freio


"No fim do mundo
tem um tesouro
quem for primeiro
carrega o ouro
a vida passa
no meu cigarro
quem tem mais pressa
que arrange um carro
pra andar ligeiro
sem ter porque
sem ter pra onde
pois é! pra quê?"

Sidney Miller

quinta-feira, 29 de abril de 2010

O Bardo perdido.


Busquei uma calma fugitiva
em chagas que vertiam sangue
somente dor e saudade encontrei.
Acordes suaves
deram de beber ao
meu coração
cheio de tristeza.
Mas as notas benevolas do alaúde
me devolveram a paz
que procurei distante
estivera sempre
ao alcance das minhas mãos.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Por um triz.

Abri duas janelas, corri as cortinas
abri Nerudas, li Pablos, ouvi Paul O'Dette.
O que me fazia bem, eu fiz.
Nada mudou...nem à noite me trouxe o vento
nem a tua voz calma
me trouxe alento.
Nada fiz que não me subisse até a alma
nem teu corpo quente entre minhas mãos
me fizeram deitar sobre a relva de outono.

Assim fiz...busquei bálsamo
nos versos da poeta...ela não respondeu
fechando-me as portas
as duas janelas
correndo as cortinas
emudecendo a voz.

Nada eu fiz
eu só fiz lembrar
um final infeliz
num final de abril
meu canto febril
poema por um triz.

sábado, 24 de abril de 2010

Vida

Boa?
Um pouco.
Bela?
Às vezes.
Leve?
Nem tanto.
Breve..
demais.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Fonte da juventude.

Talvez seja ficar escondido
atrás da macega comendo bergamota.
Depois jogar as sementes
nos quatro pontos
dos cardeais.

Nada estranho.

Nem sempre acredito no que
meus olhos vêem
ou no que minha mão escreve.
Defino as indefinidas coisas
até admitir que são definitivamente
indefinidas...ou não
nada de estranho,
nem no sistro, nem no infinito.
Pela visão alheia
minha têmpera é que ateia
o fogo frio e esquecido
de uma paixão passageira.
Por isso..
Nem sempre acredito nas paixões, soltas
rasteiras, corriqueiras nem nas
derradeiras.
Tudo que queima ao calor do momento
está contaminado de dúvidas na cisterna
que acumulamos das chuvas do passado.

Agora,
nada que penso tem corpo...peso...real
ou fantástico
nem fatal
nada estranho nas angústias
do avaliável
a despeito
do avaliador.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Hieronymus Bosch previu os bailes funk.


"Inferno Musical" Parte do tríptico "O Jardim das Delícias". 1504


Delícias, despedidas e sobras do final.
Os ruidos não cessam, não cedem... escravizam.
Aos olhos do tempo restam as pestes, entre vômitos.
A prova que queriam, está escrita no bico do grande
pássaro. Que tudo devora, arrota e evacua.
O volume aumenta ensurdecendo os sobreviventes incrédulos.
Os que já não ouvem, agradecem por apenas
sentir a carne queimando.
Risos, ritos apócrifos, urros guturais e a loucura
substituem as palavras.
É a vida.
Tudo se encaixa nesta tormenta sonora.

O juiz observa,
nada cede,
nada procede,
nada julga.

Apenas sorri.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Um passo em falso e...

Pode ser por vingança
algo escrito na parede do inferno
talvez um salto para o infinito
a bordo de uma nave sem teto
caindo vertiginosamente no vazio
de um planeta ausente.
Terá que haver múltiplos relógios
dalinescos desmaiando nos braços da noite
uma onda como lençol
um par de botas douradas
uma prisão com barras de diamante negro
um convite para nascer
uma chacota bem feita
à vida, à desfeita
uma, duas ou muitas
chances de brilhar ou derreter.
Já sem os grilhões
muitos sobreviventes vão caminhando
na mais completa solidão
onde os três patetas ergueram um sonho
um deserto se abre para as manhãs de outono
e de agora em diante o sol de ácido
comanda o espetáculo.
O milagre da fuga eterna
se é que é possível
fugir....deste paraíso sem luar.
Nas laterais para sempre úmidas
das estradas feudais
surgem e rugem musgos letais
donde esporos venenosos matam
as lagartas e os escarabeídeos.
Espigam as gemas de pantano e borra
sobre os telhados caídos
e as placas de um trânsito pétreo
tremulam ao vento vermelho de radiação.
Não somos mais bípedes homo sapiens
apenas pingentes esfolados
das tempestades ácidas
se desmanchando vivos
enquanto espíritos
aguardam
serpenteando
pela escadaria
dum velho farol.

domingo, 18 de abril de 2010

Fóssil

Destinos.


Semele.Carrara 2010


Invento nomes
crio corpos
dou-lhes asas
para que sigam seus rumos
ao infinito, não sei..unknown.
Talvez seja pura aflição
de ser um aprendiz modesto.
Não sei da razão de insistir
apenas existo.
Nova massa, novos olhares, nova batalha
contra mim mesmo e ao tempo.
Invento bondades, idealizo caminhos,
adormeço na incerteza...e
acordo cercado de tudo
que não fiz.
Vão-se os anéis, os cinzéis...
as barras de cêra, ponteiras de aço
instrumentos letais...e eu fico aqui.
Às vezes não sinto nada
nem a saudade lancinante que obriga a chorar,
nem o sutil zurzir da última chance
nem o espelho da crueldade
ou o latejo da memória
por todos os fracassos incentivados.
Às vezes sinto minhas mãos como se não
me pertencessem...como se não existissem
como se nada fosse mais fácil
do que parar..ir embora
e nunca mais.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Pequena estória do grande nada. Parte 1

Do meio do nada
surgiu o grande nada.
Nada disse,
nada fez,
nada deixou
pois não tinha nada
para fazer nem
para deixar a ninguém.

Não tenho nada
com isso.


Aviso: A parte 2 foi cancelada
por não haver absolutamente nada
para contar.

Vislumbre



Há poesia...
mesmo que
muda, cega e..
fedorenta.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Quando te leio.

Quando te leio
é como se a calmaria
enfunasse as velas
como se o rumo se repetisse
ao longo das ilhas
em torno das Índias
caminhos distantes.
Quando te leio
desvelo teu corpo
revelas teu cheiro
sob os pelos de meu braço
leio e te abraço
enquanto és o que eu quero
que preciso
te vejo
por isso
te leio.

Recado

Atiças a brasa
ao vento
depois de tudo terminado.
O tempo parece distanciar
a essência minha... da tua.
Deixei um recado
um grito escrito
em tua calçada.
Agora? Depois de tudo consumado?
Mas vai chegar a hora...ora
debandar-se-ão os sonhos
na aurora
da noite que não terminara
e vais perguntar,
qual de nós
vai embora?

terça-feira, 13 de abril de 2010

Hoje


Me quero perdido
entre os horizontes
de dois oceanos
que se formam
em teus olhos.

Hoje.
Navegante em mar aberto
para dentro de ti.

Rio



Rio
Poema de Cynthia Lopes

Vinheta:
"Nada sei do mar, dos ventos
e de seus moinhos, imaginários
imaginários"

Corre para o mar o rio
tudo se move nesta vida
como fonte jorra e cria.
Corre para o mar o rio
vida que desfralda velas
ventos que deslocam pás.
Corre para o mar o rio
da fonte às vazantes
sinuoso rio pro mar.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

"Caminhando" Composição de 2006



Desde o momento em que aprendi a dedilhar minhas primeiras
notas eu passei a sonhar em ter um alaúde. A imagem deste
instrumento, sempre foi meio distorcida em minha mente.
Aos poucos ela foi sumindo por razão de ser um instrumento
muito raro em Porto Alegre. Além disso as informações que
eu possuia vinham invariavelmente dos filmes de Hollywood.
Nesse momento acontecia algumas confusões, já que às vezes
apareciam alaúdes árabes, outras o renascentista e ainda
o medieval que era muito mais difícil. Somente no início
dos anos 90 é que fui apresentado ao misterioso alaúde da
idade média.

Em 2002 construi esse alaúde que agora mostro o único
registro sonoro que gravei. Futuramente, pretendo gravar
um vídeo tocando alguma coisa. Por enquanto, fiquemos com
algumas fotos e o som.

sábado, 10 de abril de 2010

Cave canem.


De repente a razão some
as vozes se alteram
nada parece ter sentido.
Tudo que se fez não deveria ter sido feito
o que se disse
deveria permanecer escondido no silêncio.
Nada parece ser lógico
gritos, ofensas...ameaças.
Arrependimento..não desarma meus punhos
não alivia minha visão
nem o arrepio da violência.
E nada disso valeu a pena.
Nada vale a dor na cabeça
o corpo tenso e o coração disparado.
Tudo que fiz de nada adiantou....serviu
para perceber o quanto ainda sou uma fera
o quanto minhas garras exalam odor de sangue
que ainda sou
humano.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Último pela estrada romana.


Sigo
e a sorte está lançada.
De meu, apenas o que
levo em minhas mãos..vazias
entre os vãos dos dedos.

Desvios e enganos
são meus seguidores.
Vou
e as marcas mais
profundas
são a saudade.
Fui.

Ciclo.

Agora eu renasço
assim como
foi ontem
será
amanhã
igual
ao vidro
quebrado.

Oooolha, cuidado!

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Jogral

Para ser cantado em duas vozes pelos
desesperados das seis da manhã.


Tu
eu
Eu
tu
eu e tu
tu e eu
sou tu
és eu.

Amanhã.

bis...

Frases caóticas

Ontem eu queria tanto
entender as frases dos enigmas
paradigmas, sofismas ...e

quase caótica como as linguagens
exóticas mortas...patética

...e

Hoje não.
Não há motivos,
talvez seja tudo mentira
ou verdade esquecida
tanto faz.

Quero lembrar as armações poéticas
como convém ao homem
como convém a mim.
Sejam carregadas de loucura
rastejando sobre o piso cru da incerteza
sejam pobres de beleza ou ricas em desejo...

hoje não
serão apenas fantasias e fantasmas
não de mim ou dela.

Apenas poesia esbarrando nos limites das molduras
no quadro esquálido de uma máquina viva.
Cheia de espessos espasmos e volúpia
ativa.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Chutando tudo.

Chega um momento
em que cansamos de fazer
o que os outros gostam.
Não queremos mais ocultar
nossa cara, nossos olhos...ou mãos.
Não queremos mais esconder
nossa febre, deixar de lado nossa sede...

Aí chutamos o balde
e tudo mais que estiver na frente
...nos lados também.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Cobranças- Minotauro de Picasso.



Tenho certeza de que sou um bom amante, pois
passei a adolescência inteira praticando.

Te vejo por aí.

Depois das chuvas que não vieram
de todos os sonhos que não se realizaram
quando as nações se cansarem das guerras
quando o mar finalmente encontrar o céu.
Quando as florestas forem realmente salvas
e viver for mais importante
quando todos os templos abrirem suas portas
todas as pessoas viverem em paz.
Quando todas as crianças tiverem comida
e felizes poderem brincar
ninguém mais precisar fugir
quando todos puderem sorrir.
Quando os políticos dizerem a verdade
e a justiça vencer nos tribunais
quando os pais amarem verdadeiramente seus filhos
e os filhos honrarem seus pais
quando ninguém mais precisar roubar
ninguém precisar chorar
ninguém pedir perdão
e nem ter o que perdoar.

Te vejo...por aí.

terça-feira, 30 de março de 2010

Amanhã

Será outro dia
com a mesma carga..cara
velhas discussões com o vento
nenhuma claridade para além do sol
será outra saga?
Outra guerra
sutentada pelo suor nosso de
mais um dia?
Será outra visão
de um futuro estacionado
no presente
este mesmo presente que já passou
ainda haverá quem pergunte
como estão as coisas?
Será outra mesma resposta
esta sim, definitiva
como o dia que finda, mas não termina
pois amanhã
será outro...dia.

Convalescendo. (Valentemente)



Para quem gostaria de me ver de vestido...

A mocinha morrendo de rir é uma das terapeutas
do hospital. No momento não consigo lembrar o
seu nome, mas prometo me redimir numa próxima
postagem.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Palavrão.

"Estraticolormidoficomiestropagilicesdentetergagimentalifissilicotirezentimastoide".


O que significa?
Não faço a menor ideia.

Pra Lili.


É melhor fazer tudo devagarinho.
Viver sem pressa e tentar ouvir
as pedras crescendo.

domingo, 28 de março de 2010

Inesperado.

Ele chegou, ela já nem esperava
incontáveis dias de dor, amargura
a desilusão marcando compasso.
Enfim a vida sorri, o amor voltou
tudo agora é diferente.
Há bondade em cada gesto
risos, alegria a cada passo.
O amor modificou seus planos
para quem já sentia-se morta.
A solidão que invadia seu quarto
impedindo que o sol entrasse
agora não será permitida
em seu coração, na sua vida
assim como fizera por tantos anos.

Tudo agora será olhar em frente
com o seu amor ao lado
não haverá mais tristeza
em seus olhos, seu peito só a beleza
e o encanto de uma paixão encandescente.
Só o amor pode fazer renascer
segundo os sábios
só amor pode matar
a sede de seus lábios
pode mudar o destino
trazer o inesperado
há tanto tempo
esperado.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Um dia.

Definitiva célula de tempo
duradoura para alguns
instantânea e visceral para
a maioria.
Tempo que enquanto mede o universo
delimita as vidas
cria e ao mesmo "tempo" destrói
expectativas, sonhos se transformando
numa longa espera.
Direção, incógnita infinita
Destino, lugar um espaço.
Um dia, algum dia, algum lugar,
onde não haverá noite
não se sentirá frio
nem fome ou dor.
Apenas...um dia.

quinta-feira, 25 de março de 2010

É tempo de ir.

O vento
não trará de volta
o momento em que
não soubemos...sorrir.
Não sinto culpas
nem tenho saudade.
Vaga sobre o silêncio
um resto incerto
de sentimento
mostrando outro caminho
para quem quiser seguir.
A vida sempre muda
inventa rumos
abre destinos
e toda hora
é tempo
de partir.

terça-feira, 23 de março de 2010

O violinista louco. 1989


Hoje não há nada
a fazer, senão
adivinhar o tempo
esperar
pela intensa agonia
do sonho nosso
de cada dia
e seguir.
Sem ter para onde...só
seguir.
Sem pressa
e
sempre.

O lado escuro do espelho.


Pequena janela
que me leva...leve
infinitos lençóis
fundo azul.
Sem medos
nem ásperas grinaldas
sem amores doentios
sem ciume
sem pecados
ou intenção...
Pequena e extensa passagem
mundo desconhecido...inerte
pessoas em busca
sob a ilusão
janela ao obscuro
futuro
viaja a morte
vaga à sorte
injustiça e
perdão.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Clarão.

Há pouco escrevi no Faunos e mitos
sobre liberdade sendo força
escondida.
O lugar é comum, mas é mais próprio
ali do que em outro qualquer.
A liberdade não é um mito
apesar de muitos a temerem como
a morte. A condição essencial
para a felicidade segundo os gregos
e a mim também.
A minha liberdade é uma conquista
não abro mão dela por nada
nem por ninguém.
Não dei a ti ou para qualquer
outra pessoa, o poder de decidir...por mim.
"Livre eu sou, até ante um olhar teu".
Quem quiser estar ao meu lado
não tente provar minha amizade
tolhendo o que de mais sagrado possuo
até porque nada mais quero
que é a minha
liberdade.

sábado, 20 de março de 2010

Quando tu vens. Música sobre poema de Simone Aver



Quando tu vens
todas as sombras se dissipam
todos os medos emaranham-se
em abstratos rolos irreais.
Quando tu vens
todos os segredos são castanhos
todos os muros são transpostos
nada interfere em nada
nem nos umbrais
das portas fechadas
nem nas distâncias materiais
talvez inexatas
talvez oníricas, banais.
Quando tu vens
tremem dos meus cabelos, os cachos
e todos os sábados, todos domingos
todos feriados nacionais
são teus olhos
são teu brilho
são teu riso solto
que ecoa nos ninhos
que eu queria pra nós.

AVISO 2

DEVIDO ÀS MILHARES SOLICITAÇÕES, AMEAÇAS, TENTATIVAS DE SUICÍDIO
E OUTRAS, O AUTOR RECONSIDEROU A SUA DECISÃO E DETERMINOU
A CONTINUAÇÃO DESTE BLOG SEM DATA DEFINIDA PARA SUA EXCLUSÃO.

CONTINUE ACOMPANHANDO A NOSSA PROGRAMAÇÃO NORMAL.

OBRIGADO

AVISO

POR ABSOLUTA FALTA DE INSPIRAÇÃO O PRAZO
DE VALIDADE DESTE BLOG... EXPIROU.
O MESMO SAIRÁ DO AR ÀS 12H DESTE SÁBADO.
QUEM QUISER CONTINUAR SEGUINDO O AUTOR
PODERÁ FAZÊ-LO ATRAVÉS DO BLOG DAS
ESCULTURAS.

OBRIGADO.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Saudade

Dos bondes da Carris de Ferro Porto Alegre, ou
simplesmente saudade de mim.
Mas até a Av. João Pessoa era linda.


Perguntas.

Ser apenas quem sou...não basta?

terça-feira, 16 de março de 2010

Advérbio.

Nunca foste minha
nem te mereço
talvez o tempo se desfaça
e tudo volte ao início
que reflita em meus olhos
para que eu nunca esqueça
e nesse presságio
que a chuva escorra
e abençoada sejas.

Seja último...beijo
última metade
seja a primeira
seja a minha
contra tua vontade
que seja a última
palavra não dita
em teu ventre...bendita
sejas sempre até nunca
sejas viva e minha
para que eu
te mereça.

terça-feira, 9 de março de 2010

Última palavra


Tenho-a
em minha língua.
Guardo para que não seja
perdida.
Para ser sempre sentida
e nunca seja mal dita.
É legítima, de minha conta
reservada sob domínio.
De meu arbítrio
única e solitária.
Apenas uma,
mais nenhuma.
Livre, viva e verdadeira.
Sem ser sublime
nem derradeira.

Mas só minha,
última...primeira.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Manias

Tenho manias estranhas
e em desuso.
Às vezes como Lutero me vejo só
perante Deus. Mas essa não é
a mania mais bizarra.
Tenho a mania de andar no lado
direito das calçadas
não estacionar em fila dupla
nem sobre o passeio público
no coletivo invento de não
utilizar os assentos reservados,
pior ainda, tenho essa mania
de dar lugar aos outros.
Dou bom dia a todos, não importa
se conheço ou não
peço licença
digo desculpa
não ouço som alto dentro de casa
ou no carro, até porque não tenho
som nele
fico em silêncio quando outros falam
não uso celular no cinema
não assovio nem falo alto na rua
nem uso boné durante as refeições.
Não bebo nem fumo
e tenho a mania de lavar as mãos
de respeitar filas
de não burlar a lei
respeitar os animais
os idosos
as crianças
os doentes
não buzino perto de hospitais
respeito a velocidade estabelecida
não dou encontrões em supermercados
nem amasso portas de carros estacionados
ao abrir a minha.
Honro a minha família
sobretudo meu pai e a memória de
minha mãe.

Convenhamos, sou um grande
chato.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Gavetas.

Quem não as tem?
Gosto de remexer
nas gavetas...sempre encontro
o que não estou procurando.
Mas às vezes é preciso...não
na verdade é estranho.
Minhas gavetas guardam o invisível,
surpresas desagradáveis
e cheiros indescritíveis.
Abertas se parecem com um prédio condenado,
tudo o que se vê, não se sabe
de quem é.
Ocultam tristes lembranças
também diferenças abissais
entre ser e sentir.
Gavetas bagunçadas,
quem não as tem?
São o desconexo real da última
moeda de troco
são o documento extraviado
e sem valor
são aquela carta comprometedora
que esquecemos de rasgar...ou não
são as agendas antigas
fotos mofadas
meias sem par
cortador de unhas enferrujado
a camisinha sem uso
o relógio estragado
canivete sem fio
um fio...sem pavio
um lenço de papel
(com um telefone)...e coragem para ligar?
São as lições de moral
pedaço de fio dental
uma página de jornal
e um monte de poeminhas
com rimas idiotas.

São o enigma da própria insistência
que insistimos
em não querer
decifrar.

terça-feira, 2 de março de 2010

Crime

Diana Peça "única".

Do fio
um corte
rasgando o amanhã
..arma no chão!
uma palavra
escrita com desprezo.

Arte.

Roubo?
Só a autoria de uma obra.
Uma parte iluminada
de uma vida...jogada nos autos.
O milionário ri
em seu clube
rouba, falsifica.

E nada mais.
Nem justiça.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Sou.

Assim retraído
com medo de ser
feliz.
Manifesto dor
pelo resto de todos dias
deixo como herança
uma tristeza só
...eu.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Formas


Nascem do desejo
ao mesmo tempo em que
se desvenda o infinito
...bendito é o anseio
de criar.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Adversos

A palavra
é eterna
se secreta é jura.

É fala
é muda
escreve o tempo
descreve a vida
às vezes carícia
muitas vezes malícia
outras vezes
a cura.

Continuação

...e no silêncio da noite
a música surrealista
de Hermeto Pascoal...

Conteúdos

Às vezes, na intenção de serem profundas,
algumas coisas acabam significando
absolutamente nada.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

O pulo da gata.


Senhoras e senhores lhes apresento
Zuca Spituca Sepilte no auge dos
seus 13 anos. Minha filha mais velha
falando de felinas.
Uma senhora de muita personalidade.

Algumas vezes ela até me perdoa....ou
finge.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Areia quente do sol.


Tentei descobrir teus gestos
a quem farias feliz.
Pensei ver, teus olhos
quem velavas
mas que de mim ocultavas
até não mais resistir.
Quis saber qual pessoa
ficaria com teu beijo...teu corpo, a luz
ou com a dor.
Precisava um nome
para escrever num canto qualquer
de folha...depois jogá-lo no mar.
Qual o que! nada me revelaste
apenas sorriste ante minha aflição
brincaste com a minha vida, minha paixão.
Me deixaste minguando num quarar de sede
como último aviso da solidão.

Ao cair daquela chuva fina...tarde
quando a areia ainda queimava do sol
enquanto as ondas espumejavam teus seios
me olhaste sorrindo.
Escrevi meu nome junto ao teu
num canto de folha qualquer
joguei ao mar, teu nome e o meu.

Enquanto a chuva fina caía
sobre a areia quente
do sol.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Exposição


A galeria repleta de sonhos...meus
explodia em agonia
como se antevesse o fracasso.
Os sonhos eram autênticos
mas o vazio tomou conta de mim.
Freneticamente andei... sem rumo.
Em cada gesto ensaiado
aflorava o desprezo...terceiro mundo.
Dentro de cada mão uma recusa
e minha tentativa vã...de fugir.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Palavras.

Às vezes não são de verdade....pura
podem ser de mentira...crua
mas não invento os amores
apenas olho a lua, refaço cores
não crio telas amorfas, monocromáticas
canto meus sonhos, conto minhas dores
sem planos, sem palcos e nem atores
não vivo em imagens
nem cartas...enigmáticas
delírios, falas enfáticas
mas são minhas, as miragens
as minhas palavras
são minha cena
gostem, odeiem
leiam ou achem graça
são minha andança,
minha carapaça
perdido no inferno...confesso réu
caem as juras vindas
bem-vindas.... do céu
em minha mão trêmula
falha, obscena.

Há quem não goste, digo
é...uma pena.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Vida real.

Não parece a mesma mão sobre o trinco
nem a porta seria aquela da fotografia
onde moscas passeavam investigando restos
de tudo que não podia ser definido como
alimento apodrecido....cheiro, suor.
As horas continuam brincando como
as nossas ilusões esquecidas (queimam)
da mesma forma que brincam com os ponteiros
pois nem precisam da solidão do tempo
para esmagarem os sonhos recém sonhados.
Escorregam pelos buracos do assoalho
envolvidos na névoa febril da infância.
Nada parece ser como era um dia
e isso doi, mais do que poderia doer
como se não fosse a vida
havida....real.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Lá fora.

Lá fora há rugidos
dos esquecidos
dos foragidos.
Enquanto a cidade se arma
da dor dos
enxotados.
Há traidos
sonhos perdidos
partidos.
Enquanto a cidade se alarma
com a dor dos
abandonados.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Trastos.

Sem rumo em direções opostas
são como dormentes
por onde trafegam encordoados
trilhos sem linha
notas maltrapilhas....farrapas
em postas
harmonias em chamas
correrias.."carreras"
fugas fetiches
feitiços
vulcões atonais
ecos virtuais
lavas ardentes
vertentes febricitantes

fatais.

Tolices

Minhas tolices
viajam no cochilo da lucidez.
No raiar do dia
são a minha voz
no entardecer
são o meu cansaço.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Pássara


Se quiseres
podes fazer
uma escala por aqui.
Voa feliz
e pousa tranquila
onde alguém espera
por ti.

Cornucópia.

Vejo gritos iguais
copiados de cópias
reproduzindo-se em aplausos
acapangados febrís.
Cornucópias andejas
feitas de policarbonato importado
impressas no ar.
Escondem o desatino das ausências.
Pobres sem ter o que pensar
pensando ser o que não são.
Em vão.
Em vão.
pensando ser o que não são.
Pobres sem ter o que pensar
Escondem o desatino das ausências.
impressas no ar.
feitas de policarbonato importado
Cornucópias andejas
acapangados febris
reproduzindo-se em aplausos
copiados de cópias
Vejo gritos iguais

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Culpa.

Tudo que restou está longe de alcance
de qualquer gesto..qualquer lance.
Mas a culpa será minha? Só minha.
E a vida? Segue por aí afora.
Pergunto ao vento, porque tanta demora?
E isso era tudo que eu tinha
tudo que podia ou pude aprender
tudo que a vida me permitiu fazer
será a culpa? E é só minha?
Ou esse pouco que sou
é tudo que posso ser?

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Silêncio

Ondas de sons
partículas verdejantes de névoas atemporais
distantes...translúcidos devaneios
artistimulantes desejos..enganos
antinavegantes janeiros até marços
rios da prata além mar.
Ouço
eu silencio...ouço
e grito...maldito
carnaval.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Segredo

Era impossível esperar.
Aquela paixão fremente
nada podia ser mais urgente
não podia mais esperar.
Fiz plantão à sua frente
desfiz o discurso
que perdera a validade
esqueci a minha vaidade
mas talvez na verdade
falei demais
não soube escutar.

Agora minha mudez
contará minhas memórias
as que permitiria...serem guardadas
sob sete chaves...segredo total.
Não sei se os cantos da sala
estarão esperando a poeira do passado.
Não sei se ainda valerá a pena
se não está tarde para ter dignidade.
Mas será segredo
o nosso enredo
em meu arremedo
cometi perjúrio
agora quero calar.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

O Surrealismo verbal de Simone Aver.

Eu gostaria de ter um armário
cheio de cruzes e faixas com
cicatrizes. Também queria um
riso extinto em minha boca
surda..

Queria ser essa pessoa descrita
em teu poema.... Surreal seria.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Te procurei no fim.


Te procurei pela cidade, sequer sei teu nome.
Te esperei..em vão e gritei
ninguém ouviu
nenhuma sombra, de dúvida.
Enquanto chovia palavras em verborragia
eras meu inverso...inverno meu avesso
enquanto te achava, chamava tu sorrias
eu cantava inúteis canções
sobre um tempo que nunca vivemos

Estavas colando cartazes pelas ruas de Poa
era num brick, num linck
coisas assim....numa praça.
Eu sem graça. E tu engraçada
em meio à multidão
frente ao portão
da filosofia...certo que um dia
lembrarias de mim.

Este foi o fim..

sábado, 23 de janeiro de 2010


Preciso ficar um pouco à beira do abismo.
Sentir a vertigem dos ventos sobre o mar bravio.
Olhar o horizonte inalterável...incansável
vetor de busca....procura.
Talvez encontrar o inavegável
ir tangencialmente ao profundo
antever o claro-escuro e fundo
de um oceano perdido..sem planos, cartas nem farol.
Tenho que estar ao alcance dos medos
sentir nas mãos, entre teus dedos
o sangrar das horas perdidas
que nunca mais moverão os ponteiros.
Tenho que pensar ser feliz... um dia
nem que seja o último dia
antes do alinhar dos planetas, sem a luz
na solidão de um infinito findo
quando nada haverá
além do além
e do vento
apenas um segundo
quando escurecem as estrelas
e nada mais
será
o que nunca tenha
sido.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Palavras viajantes.


Orações ao vento Templo budista no RS.

Andei entre Stupas, sinos
anunciavam presença ao som
do bronze.
Palavras escritas no fino
tecido, tremulam para sempre.
Assim ouvi as orações
viajantes do tempo
rasgando sílabas
libertas do templo...ao vento
galopando
o espaço.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

As orelhas de macaco.

Havia uma lista de coisas
Pequenas mudanças que escrevi
nas orelhas de macaco.
Isso! ainda era inverno.
Eu mudei de lá para...mais adiante.
Havia outras coisas
que poderiam ser a chave mestra
que me mostraria o mundo.
Mas eu era outro e outros são diferentes.
As folhas da árvore gigante
cairam sobre o capim seco verde-dourado.
Bem na frente da velha escola.
Eu ainda era pequeno
e as orelhas de macaco murcharam
perderam os rabiscos feitos a lápis de cor
de caneta esferográfica preta...minha preferida.
As coisas mudaram.
Tudo ficou escondido nas orelhas do tempo.
A escadaria ainda existe
aguarda minha velhice
só para escarnecer da época
em que eu era um herói correndo sobre
as estrelas
sobre o capim seco
à sombra das orelhas
da infância.

Vida viagem.

Vida, uma viagem sem volta
sem estradas, mapas ou rotas
e destino desconhecido.
Origem fora da Terra
vagando na imensidão do tempo
sem lembranças, distâncias
nem sonhos
onde todos somos...passageiros.
Todos somos estreantes
marinheiros de primeira viagem
sob a mesma luz
dançamos ao sabor do vento.
Nem todos seguem viajando
alguns perdem.....seu lugar
quanto mais seguimos esse rumo
na velocidade máxima
ou bem devagar
mais longe segue a vida
para nunca...nunca mais
voltar.

Teus olhos.

Teus olhos
calaram a minha tristeza
choraram a minha dor
enquanto os meus
não sei se de arrependimento
fecharam-se sob a escuridão
e tormento
pra abrirem-se neste momento
sob a luz
do teu amor.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Enquanto

Sei que o dia ainda dorme
enquanto colho tuas palavras
jogadas num repente
enquanto olhavas o presente
indagando ao futuro.
Sei que ainda dormes
me detenho numa insana intenção
de entender tu'alma indômita.
Dentre sonhos
beleza
e tristeza.
Recolho tuas impressões
mágoas, frustrações
e esperança.
Luz e tempestade
terremotos
dor
prostração e reerguimento.
Presença no meu dia
enquanto ainda dormes
na minha obra
em meu trabalho
entre nenhum sim
e vários nãos.
Presbiopia
é teu corpo
absorto
faz teu parto
em minhas mãos.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

No trem

Ao meu lado
num lugar vago
um homem cansado
me olhava
com desdém.
Era o jogo
desjogado
num futuro esmagado
sob os ferros
do mesmo trem.
O homem de olhar
azulado
maltrapilho
talvez drogado
parecia me ouvir.
Porém eu nem
falava
também não escutava
o que ele parecia
não saber dizer.
Ele era um velho
que eu já conhecia
assim como conheço meu pai.
Eu era ele
já sabia e
para mim mesmo
olhava e via
o que a vida
me reservou.

Num lugar
vago no trem
estava eu
distraido e cego
estava a minha
vida e meu ego
num estranho vai e vem.
Tentei saltar
na primeira estação
talvez outro trem
em outro vagão
antes que eu pudesse
o homem velho
pegou minha mão
dizendo
"antes que seja cedo
ou muito tarde, ou não
seja doce, amargo e azedo
manda parar esse
trem".

Na plataforma
olhei para os lados
além dos seres alados
nada mais vi.

Apenas lembrava
viajante da demência.
Num lugar vago
um homem, uma mulher
que ninguém viu
sentaram ao meu lado
companheiros
silenciosos
numa estranha viagem
um sonho,
ou miragem
de um comboio
que nem sei
donde partiu
muito menos seu destino
nem se eu era menino
passageiro
de um trem
que nunca
existiu.

Cores do futuro.

Palavras azuis
singram a escuridão
rolando trôpegas
entre as pedras inacabadas.
Viagem e o sonho
que de tão real
dói em meu cérebro.
As estranhas estreitas
estradas espreitam
sob um sol de titânio.
Beijos de silício
aguardam um...start
em bocas viciadas
de telas e
tédio.
Pequenos gênios
resultado do
assédio
escutam os gemidos
sofridos entreouvidos
de outras sessões.
Um vento de carbono
desabotoa as cortinas
em plástico
cor de estanho
polímeros e aço
juntam-se ao odor.
Tudo é cor
num blues latinizado
ou um tango
mal dançado
relembra o futuro
perdido
no passado
entre os sabores
artificiais
da nova era.

Pura quimera
nada será
como um dia
como foi
amanhã.
Ontem será
muito tarde
mesmo sendo
de manhã.

Busca

Um dia vou te encontrar
em qualquer ponte
seja do nada
a nenhum lugar.

Sei que vais calar
nas mesmas canções
que em cada final
eu te perdia.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Ainda.

Sempre que te olho
em teus versos.. ainda que distantes
roçam o meu braço.
Mas não são mais teus
quando os atiras ao vento
me atingem e me prostro.
Não são meus, mas me cercam
cerram, secam-me a boca
e suores indecentes
riem de mim.
Ainda teus cabelos molhados
refrescam-me o pescoço
sinto-os sobre o peito
parte de mim, de ti.
Sempre que te ouço
sorrindo com os olhos
desfazendo do tempo, do mar...de mim.
Sempre que te vejo
tens a mesma sede.
Ainda que seja tarde, manhã ou chuva
distante são as cálidas tardes,
de sol que ainda arde
em meus sonhos... enfim.
Só na loucura persistes
e a tudo assistes
sem nada dizeres de ti..
a mim.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Cogito.

Às vezes penso que não penso.
Isso é bom!! fico fora do planeta
e o tempo não me conduz para a noite...
Há momentos que não sou eu.
Apenas me vejo, distante e não sou nada..
Isso é tão verdadeiro.
Muitas vezes preciso me convencer
que ainda existo...dentro de mim.

Entretanto na verdade,
me desconheço.
Nunca me vi.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Terra dos versos perdidos.

Meus versos
que já eram escassos
perderam-se nos espaços
das noites sem fim.

Tenho outros olhares
sobre outros lugares.
Como Peter Pan, minha sombra
desprendeu-se...de mim

Na Terra do Nunca
ela se escondera.
Preciso encontrá-la
ou aos versos... assim.