quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Meus Passos e o tempo. 75


Poderia ter andado com meus passos...
Me restava muito tempo.
Mas ele escoou
e este andar não se deu.
As pegadas não eram só minhas..
Olhei para outra margem
e uma multidão avistava minha passagem..
Alguns aplaudiam, outros viravam o rosto
prostrados de inveja.
E ainda havia ..o tempo..
O tempo que soltava os sonhos
e era o mesmo que matava esperanças.
Mas nem tudo foi em vão..
Aprendi a respirar com meu próprio nariz
a cantar com minha própria voz
fui feliz...quase o tempo todo...ah! o tempo....
Também aprendi a mentir, fingir
que nada seria difícil, fácil? Talvez, mas
nunca foi.
Também aprendi a ficar invisível.
No começo senti a diferença,
entre a indiferença e o nojo..
Depois não havia mais distinção, pois
para alguém invisível!!! tanto faz..
desprezo era um consolo...
Hoje nada está decidido... ainda
a vida segue seus descaminhos..
Os livros são os mesmos nos quais estudei
e quase nada aprendi
e o pouco que sei.... não li.
Mas ainda olho para a linha do horizonte
na vã tentativa de reencontrar o caminho.
Aprendi a ser indiferente e
o autodesprezo me ensinou a aceitação
mas não aprendi a me conformar
nem a beijar a mão que me agrediu
e nem a esperar
pela morte em vida
ou a renúncia
que esperam de mim.

5 comentários:

Sonhadora disse...

Ricardo
Maravilhoso o teu poema.
vou dizer-te um porverbio portugu~es (entre nós dois venha o Diabo e escolha)... pois a confusão de nossas vidas é louca...
Beijos

Simone Aver disse...

Fiquei pensando sobre o que eu penso a respeito desse teu escrito. Na verdade, creio que todos estejamos no mesmo barco, meu caro. Os descaminhos não deixam de existir pra nenhum de nós. Nada está definido pra ninguém, ainda que alguns prefiram acreditar que ao menos uma parte de suas vidas assim o está. Ledo engano. O tempo vai passando sem prestar atenção em nós. Ou será que nós passamos e pensamos que é o tempo a passar? Ainda assim, algo 'passa', mas tal fato é imutável, não dá pra segurar, nem as coisas que gostaríamos de ter feito e não fizemos, seja lá por quais razões. E quem disse que era pra fazermos? Talvez não tenha SIDO porque NÃO ERA PRA SER MESMO! Quando a aprender, sou tua irmã...hehe... também não aprendi nada ao longo dos meus quase 44 anos... aff... e se eu viver outros 44 (e espero que aconteça), queres saber a verdade? ESPERO NÃO TER APRENDIDO NADA ATÉ LÁ!!!!!!!!!!!!!!! Bjs, meu querido amigo.

Simone Aver disse...

*CORREÇÃO: em QUANDO A APRENDER, leia-se QUANTO A APRENDER... rsrs
Novos beijos

Ricardo Kersting disse...

Muito obrigado Sonhadora.. Não conhecia este provérbio e olha que eu sou um sujeito "proverbial"..
Brincadeiras à parte, nossas vidas estão confusas porque temos um nível de exigência um tanto alto.. Após uma certa idade, que não vem ao caso qual seja, ficamos cada vez mais insatisfeitos conosco e com pessoas que tentam se aproximar..Às vezes jogamos fora belas amizades, sei lá!!! como poderemos saber?
Um beijo...

Ricardo Kersting disse...

Querida Simone, nada tenho para dizer sobre o teu comentário.. A não ser, que nem precisavas corrigir, pois mesmo com o quando, passaste a ideia de forma perfeita...
Ah! sei o que posso fazer com ele, vou guardá-lo com carinho e de vez quando dar olhadinha..Gostei muito..
Beijos velhos e novos...