domingo, 18 de abril de 2010

Destinos.


Semele.Carrara 2010


Invento nomes
crio corpos
dou-lhes asas
para que sigam seus rumos
ao infinito, não sei..unknown.
Talvez seja pura aflição
de ser um aprendiz modesto.
Não sei da razão de insistir
apenas existo.
Nova massa, novos olhares, nova batalha
contra mim mesmo e ao tempo.
Invento bondades, idealizo caminhos,
adormeço na incerteza...e
acordo cercado de tudo
que não fiz.
Vão-se os anéis, os cinzéis...
as barras de cêra, ponteiras de aço
instrumentos letais...e eu fico aqui.
Às vezes não sinto nada
nem a saudade lancinante que obriga a chorar,
nem o sutil zurzir da última chance
nem o espelho da crueldade
ou o latejo da memória
por todos os fracassos incentivados.
Às vezes sinto minhas mãos como se não
me pertencessem...como se não existissem
como se nada fosse mais fácil
do que parar..ir embora
e nunca mais.

4 comentários:

Sonhadora disse...

Meu querido Ricardo
Lindo o teu poema, mas ainda consegue ser mais negro que os meus.
Posso emprestar-te um ombro...estou AQUI.

Beijinhos com carinho

sonhadora

Ricardo Kersting disse...

Querida Sonhadora
Se pudesse atravessaria o oceano para buscar teu ombro..
Mas conforta-me saber que estás aí a ler-me..
Beijão com muito carinho também.

Efigênia Coutinho disse...

Ricardo Kersting

Invento nomes
crio corpos
dou-lhes asas
para que sigam seus rumos
ao infinito, não sei..unknown.


Poesia pura, meus cumprimentos, foi muito bom ler voc6e, aqui de New York, onde fico até fins de maio,
Efigênia Coutinho

Cynthia Lopes disse...

Tu és Rosa-Flor, o ombro de todos nós, só vc não conhece a tua força.
E assim, o mesmo contigo Ricardo, todos os momentos passam, sejam eles maus ou bons, o que fica é a certeza de que somos, cada vez mais fortes, cada vez mais nós mesmos.
bjs