sábado, 7 de março de 2009

Todos os sentidos.



Eu sei


o poema existe


posso ouvi-lo


Como dentro da pedra


há a escultura.




Eu sei


posso tocá-lo.


Posso,


sentir o seu gosto.




Eu sei que existe.


Posso esperar e


cheirar.


Suas frases estão


ao vento.




Eu sei


e já posso vê-lo


mesmo sem


escrever.



Eu sei


e creio.

4 comentários:

LiLi disse...

Dar voz a nossa verdade é um dom que nem todos descobrem ter. No meio de tanta confusão, poucos conseguem em si mesmo saber em que creem...
Um abraço!

Simone Aver disse...

Também posso vê-lo. Aliás, posso ver poemas inteiros nas mínimas coisas, não pq eu tenha bons olhos, ou meu olhar seja especial, mas pq eles estão ali, tanto quanto "a escultura está na pedra". Um carro que buzina na rua em frente à minha casa, um pedaço de sabão, uma gargalhada, um e-mail sem anexos, um impresso, um café expresso, talvez um mosquito ou um suspiro imprevisto. Um capítulo de novela ou o rasgo na camiseta velha, usada pra dormir, nas noites mais frias, pq nas quentes, a pele me basta. Tudo isso é frase poética, é sopro de luz no dia, ainda que chova, e as goteiras molhem as folhas vazias de versos. Sim, eu também vejo poemas. Que bom. Poesia é vida.
Abraços

Cynthia Lopes disse...

Oi Ricardo, sentidos postos é só esticar os braços e colher palavras com as suas mãos. O poema não se esconde, mas é breve e voa ao vento - precisa de um coração. bjs

Ricardo Kersting disse...

Lili, cada um tem a sua verdade e seu momento de crer, nela ou não!
Eu creio nas mensagens que recebo
Abraço