sábado, 14 de março de 2009

Ainda o tempo.


Pensei que tudo
poderia ser explicado.
Mas nada explica tudo,
me deixo resistir.

Há quem tem fome
e pensa que eu nada sinto.
Não, não sinto tanto assim.
Sinto muito..

Atrás das janelas um mundo vibra,
privado? Não sei?
Não há fotos, não há filmes
privam às pessoas, pisam no tempo
que não podem conter.

Fecho as janelas
as sombras cessam.
Sou inocente, me sinto inocente.

Caminho entre tumbas como fogo fátuo
lembranças de fato
todas vivas.

Eu passo e os cães nem ladram mais.
Canto e os fantasmas acompanham em sol(idão) maior.
Penso e as folhas caem
pois de-terminam verões.
Chega outro vento ou-tonal, um pouco mais.

Mais um dia
outros medos.
Após tantos anos,
ainda me surpreendo
ainda tenho tempo e medo.

Ainda sinto saudade.

Sinto muito.

Um comentário:

Simone Aver disse...

Que bom que 'ainda'... 'Ainda' é um tempo suspenso. É algo que 'ainda' existe. Sentir muito. Sentir tudo. Ir sentindo a vida. 'Ainda'. E se os cães não ladram, e se as cãs se multiplicam, que o tempo rode nos ponteiros dos dias, e nas costas os prantos se acabem. 'Ainda'. A máquina do tempo não pôde ser inventada. A máquina dos dias não pára de funcionar. A máquina do 'ainda' na nossa garganta. E a possibilidade insistente de ir sentindo tudo. Sentir muito. 'Ainda'. 'Ainda' bem. Lindo mergulho. Abraços