sábado, 23 de janeiro de 2010


Preciso ficar um pouco à beira do abismo.
Sentir a vertigem dos ventos sobre o mar bravio.
Olhar o horizonte inalterável...incansável
vetor de busca....procura.
Talvez encontrar o inavegável
ir tangencialmente ao profundo
antever o claro-escuro e fundo
de um oceano perdido..sem planos, cartas nem farol.
Tenho que estar ao alcance dos medos
sentir nas mãos, entre teus dedos
o sangrar das horas perdidas
que nunca mais moverão os ponteiros.
Tenho que pensar ser feliz... um dia
nem que seja o último dia
antes do alinhar dos planetas, sem a luz
na solidão de um infinito findo
quando nada haverá
além do além
e do vento
apenas um segundo
quando escurecem as estrelas
e nada mais
será
o que nunca tenha
sido.

2 comentários:

Cynthia Lopes disse...

Gostei muito da profundidade atingida, bela reflexão.
bjs

Sonhadora disse...

Ricardo

Lindissimo poema

Muito sentimento expresso nele.

Beijinhos
Sonhadora