quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

No trem

Ao meu lado
num lugar vago
um homem cansado
me olhava
com desdém.
Era o jogo
desjogado
num futuro esmagado
sob os ferros
do mesmo trem.
O homem de olhar
azulado
maltrapilho
talvez drogado
parecia me ouvir.
Porém eu nem
falava
também não escutava
o que ele parecia
não saber dizer.
Ele era um velho
que eu já conhecia
assim como conheço meu pai.
Eu era ele
já sabia e
para mim mesmo
olhava e via
o que a vida
me reservou.

Num lugar
vago no trem
estava eu
distraido e cego
estava a minha
vida e meu ego
num estranho vai e vem.
Tentei saltar
na primeira estação
talvez outro trem
em outro vagão
antes que eu pudesse
o homem velho
pegou minha mão
dizendo
"antes que seja cedo
ou muito tarde, ou não
seja doce, amargo e azedo
manda parar esse
trem".

Na plataforma
olhei para os lados
além dos seres alados
nada mais vi.

Apenas lembrava
viajante da demência.
Num lugar vago
um homem, uma mulher
que ninguém viu
sentaram ao meu lado
companheiros
silenciosos
numa estranha viagem
um sonho,
ou miragem
de um comboio
que nem sei
donde partiu
muito menos seu destino
nem se eu era menino
passageiro
de um trem
que nunca
existiu.

2 comentários:

Sonhadora disse...

Ricardo
A tua inspiração está sem rédias...adorei,lindo.

Beijinhos
Sonhadora

Não te pergunto o que é feito de ti......

Cynthia Lopes disse...

Concordo com nossa amiga Rosa-Flor, poema fantásstico! Imaginativo e profundo.
bjs