segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Falso



Aticei os lobos sobre a multidão de estrelas
as feras uivaram de medo ante ao tempo que rugia.
Descerrei os ferrolhos das celas, dos anjos
uma luz mimetizada cegou os soldados e mártires, mas de nada adiantou.
As pedras esquecidas dormiam o sono de Nero
e o pulsar das claves sobre os mantos revogados
empurravam párias e cristãos para o centro da arena.
Mantida a hora e a cena...
os leões recuaram
sob a nevoa tinta em vermelho sem dor...odor,
a plateia obscena ensaiava um apupo febril
quando me viu...
gritou: Ateu!
Só, entre a cruz e um cristão...um filisteu,
tudo verdade
então...
o falso ali era eu.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Odisséia

Daquele momento em diante, não havia
diferença entre correr, voar ou dormir sob reflexos
dos olhos de um anjo.
Nada que se fizesse para ludibriar o tempo
significava enganar a dama de cabelos esvoaçantes
e de pele rubra de um sol negro.....!

Disfarce...

Nada seria tão importante, ou solene
e em minhas mãos pousava um resto de sombra
esquecida pela nuvem de sereias das quais nada eu sabia...nem de ti.
Eu pensava no que pensar enquanto bastaria apenas saber....
qual era o rumo dos elefantes foragidos e  em qual das suas
gaiolas douradas deixaram o perdão para
 meus pecados.

E de repente vi  realmente aquilo que sempre fui....
Um nada dentro de uma casa de botão abandonada
rastejando na areia fina de uma ampulheta quebrada
que jazia na fronte de um sinal sobre o olho
lacrimejante de sangue de Polifemo atingido pela lança de Odisseu....


Eu.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Vaga lembrança.

Descobri onde o sol dormia
de lá trouxe a derradeira chama
que extinguirá a humanidade
sobre ela expus a minha agonia.
Antevi as cores do mais remoto arco-iris
mesmo assim meu clamor não ouviste.
Insisti pelos cantos da minha dor sombria
enfim conheci o verdadeiro rosto da vida
e que ela inteira era menos
de um minúsculo segundo e que eu não tinha
nenhum lugar para ir a não ser deitar sobre a superfície
de um planeta condenado
esperando a chuva
para me esconder nos confins da memória doentia
como uma lembrança...vaga
e tardia.

quarta-feira, 30 de março de 2011

O mesmo..

Eu tento,
mas no fim faço sempre a mesma coisa.
A mesma coisa para mim, não sei se para você também
mas tudo é diferente mesmo sendo igual
mesmo tendo a mesma lança, o mesmo escudo e
o mesmo dragão.
Invento,
mas acabo andando a mesma trilha
seguindo os mesmos sinais
vendo os mesmos fantasmas
sentindo o mesmo medo..
Sendo assim,
acabo ouvindo as mesmas vozes
e em meus olhos secam as mesmas lágrimas
quando se vão os mesmos sonhos
que nunca deixei de sonhar...!

Acordo..

quinta-feira, 24 de março de 2011

Sentido.

Se correr fizesse  sentido
por certo correria
tivesse o correr como destino
um novo caminho livre de olhos estranhos
onde os peixes descansariam
no fundo de uma colher
tivesse como leito a mão pelada do lêmure
onde o roçar da seda e o veludo
fosse comum como suor do trabalho
se voar fizesse sentido...