quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Essa menina só lê?

Essa menina está muito tempo calada. Não gosto quando as crianças ficam assim.
Só pode estar tramando alguma peraltice....

Cantos.

Cresci ouvindo meu pai cantando pequenos versos de canções muito antigas, dessas que nem se sabe os autores. Naquela época eu as achava engraçadas, hoje tenho certeza de que sempre foram maravilhosas.

Alguns versos que me lembro.. A linguagem é original e provavelmente nunca foi escrita corretamente, pois se fosse não haveria rima.

"Eu fui no mato
prá cortá um paulinhero
prá vê sou ligero
cacei prá brigá
Por isso mesmo
que me chamo
Lelo Loro meto a faca
tiro o coro
e faço bota prá calçá".

"A minha sogra que era
muito valentina
engoliu um automóvel
e deixô fora a buzina
Veio o dotô
prá fazê a operação
abriu a barriga dela
encontrô um caminhão".

(Refrão)
"É só prá homi Lelé
é só prá homi Lalá
é só prá homi
que a mulé
pode escutá".

"Conheço um homi
que era claro muito claro
tinha um filho coisa rara
que é mais preto que carvão
E a mulé que é do mundo dos sabido
diz que a culpa é do marido
que apagou o lampião".

(Refrão)

"Chico paulino tem um filho
que é bem homi
quando se zanga não cômi
pega a faca e vai brigá
Chico paulino
que era muito valentão
apanhô dum alejado
e deu num cego a traição".

(Refrão)

(Muda a melodia).
"Uai uai tua mãe bejô meu pai
uai uai tua mãe bejô meu pai
Uê uê eu não sei o que fazê
ûê uê eu não sei o que fazê.
Uão uão tua mãe bejô o João
uão uão tua mãe bejô o João".
E assim por diante rimando com todos nomes possíveis
e é sempre a "tua mãe" que beija.

"Tico-tico da macega
gavião quiri quiri
meu amor que foi-se embora
eu também queria i".

(Verso final, muda novamente a melodia).
"Na bera do mar dá peixe
no fundo dá tubarão
nas onda do teu cabelo
navega meu coração".

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Mediterrâneo distante.

Saudade
do teu sorriso que me envolveu
em todas as cenas.
Das tardes mornas
espontâneas,
serenas.
Olhares ávidos
e cantos de boca.
Força!!
que em teu curso seja eterna.
Saudade
das ruas de paz.
Chuvas que a gente nem queria,
teus olhos morenos,
teus dedos pequenos.
De tua voz macia.
Muita.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Rumo ao desconhecido. O fim.


Tudo tem fim, nem sempre precisa ter

mas tem.

A calma que invade a sala,

a luz do sol sobre a mesa,

um jardim e seu perfume,

tudo um dia termina.

As mesmas tardes preguiçosas

podem se transformar em noites sombrias

que também irão terminar.

Temos um dia marcado,

expirando o prazo

vamos partir numa viagem incógnita,

sem fim?

Os budistas reencarnam

os católicos respondem por seus pecados,

eu? Não sei.

Nem sei realmente quem sou,

ou se fui sem ter sido.

Um sorriso,

um beijo,

um abraço,

o amor,

não precisavam,

mas têm

fim.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

A menina que traduz o mundo ao seu redor.

Ela sabe o quanto sabe!
Pergunta fingindo.
Indaga fugindo
da resposta
que ela própria traduz.
Faz que não pensa
só para saber um pouco mais de nós.
Menina esperta, com uma frase
numa página deserta
coloca o mundo para pensar.
Ingênua?
Pois sim.
Sempre tem a pergunta incerta
e resposta sempre certa.
Se diverte ao saber
que esse mundo
é só dela
e que não podemos
interferir.