quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

O jogo das rainhas


Hoje parece claro,

sabes do culpado e

queres caçá-lo como

um leão da Mesopotâmia.

Parece que tudo está definido

já sabemos por quem torcer.

Mas nesse jogo não há

vencedores, como na arena.

"Ave Caesar morituri te salutant"

Todos somos perdedores

Aqui dizes quem é o algoz

apontas o polegar para baixo.

Os rendeiros entrarão na arena

irão caçar a estrela bandida

E a rainha rirá com o seu livro branco nas mãos.

Ela não quer que o jogo tenha fim

continuará rindo

rirá dos vencidos

e dos vencedores que nem

receberão seu prêmio.


Uma medalha e uma frase

no livro branco.

Mas o jogo que ela criou,

nunca acabará.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Dança dos centauros


Continuei o meu caminho
atrás das pedras pequenos seres
me observavam.
Nenhum deles era como eu
que estava livre
e podia escolher
entre o bem e uma vida de lágrimas.

Podia falar ou silenciar ao mundo.
Podia sorrir e dançar ao luar.
Nenhum daqueles pequenos seres
podia ser com eu era
não podia voltar
nem seguir se quisesse.

Não podia perguntar
nem responder.
Ali naquele caminho, cheio de pedras
havia uma deusa em transe,
um padre louco,
e um anjo bêbado,
um faquir estava sentado
sobre uma coroa de espinhos.

Beijava o dorso de uma serpente
e perguntava se alguém podia ouvi-lo?
Tinha um homem muito triste
que vestia roupas apertadas
e sorria só com a boca
como se o resto do rosto
não lhe pertencesse.

Me disse que eu teria
um rumo.
Só naquele momento
percebi que eu não
tinha para onde ir.
Não importava se eu podia,
não sabia.

E ninguém além de um padre louco,
uma deusa em transe,
ou um faquir extemporâneo
poderiam me dizer.


O anjo bêbado alçou seu voo.
O padre louco se arrependeu
As pequenas criaturas me olharam e
sorriram.
Perguntaram porque eu não tinha
para onde ir?


Olhei-me no espelho d'água
Muitos centauros eu vi.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Outra saudade

Esta não tão dolorida
mas também incomoda
como choque no cotovelo
como roupa fora de moda.

Toda saudade que doi
nos ataca na esquina
tropeçamos nela ao dia
e à noite ela nos domina.

Um pouco de saudade. "Para Kátia"


Um gosto de saudade,

parece que está faltando alguém.

Um ponto de partida?

Outro de parada?

Um pouco de mim.

Ou é mais além.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

A nau dos aflitos


Algo estava errado?

A tripulação parecia entorpecida

navegavamos em círculos ou o timoneiro adormecera.

Quando consegui abrir os olhos

vi o clarão da lua

no lado oposto uma luz muito forte.

Seria o sol?

Algo estava errado?

Ninguém respondia

as almas mergulhadas no Estige

buscavam salvação a bordo


Tentei puxar um homem

só então vi tratar-se de um bandido

talvez um demônio

talvez fosse eu.

O Estige parecia um mar, morto?

Ondas de carne castigavam o casco

da nave perdida.

Caronte dormia,

uma jovem chorava!


Por um amor despedaçado?

Perdido entre promessas de eterna fidelidade?

Um homem velho arreganhava os dentes

num sorriso dos loucos

perdido entre águas sangrentas

de almas condenadas!


Sua mão indecisa alcançou o meu ombro,

um tremor de nojo e desespero tomou todo

o meu corpo.

Ele nada dizia mas eu ouvia seu clamor

pedia meu perdão e jurava nunca mais

cometer tão violento crime.


Entre lágrimas e soluços

pedia-lhe pelos santos que me soltasse,

pois nada eu saberia sobre ele e sua consciência.

Ele parou de sorrir,

seus olhos derramavam lágrimas de sangue.

Eu o perdoei,

sem saber porque,

sem ouvir seu nome.

Sem viver a sua dor.


O homem soltou-se na correnteza,

eu suspirei aliviado.

O barco retomou o seu rumo.

Olhei para trás e pude ver o barqueiro

empunhando o leme.

Tentei em vão olhar o homem

já estava perdido entre milhares

de corpos sem luz.


Caronte cantava retesando o torso ao leme

Não tive mais medo

meu lugar não era ali

eu nem sabia

onde estava

ou se sonhava

ou se aquilo,

em alguma vida, vivi.